A produtividade alcançada pelos produtores de uva fina de mesa de Marialva na safra de verão ficou abaixo do esperado, porém, eles consideram que esta foi a melhor safra dos últimos três anos (são duas safras anuais), tanto pelo volume quanto pela qualidade da uva colhida. A Secretaria Municipal da Agricultura e Meio Ambiente está aguardando a colheita nas últimas parreiras para apresentar os números da safra.

Para o presidente da Associação Norte Paranaense de Estudos da Fruticultura (Anpef), Werner Genta, a baixa produção não chega a ser uma frustração, já que os produtores de Marialva há anos não conseguem uma safra ideal.

"Estávamos temerosos com relação ao fenômeno La Niña, que poderia trazer excesso de chuva durante a fase de formação dos frutos, o que geraria frutos sem doce, mas no final o clima colaborou, tivemos chuva, mas não daquelas com vários dias seguidos, e também tivemos bons períodos de sol. Tudo isto contribuiu para melhorar o teor de açúcar e tivemos uma safra de uvas realmente doces". Somente a uva que ficou para ser colhida em janeiro recebeu mais chuvas, mas não chegou a comprometer a qualidade, de acordo com o técnico.

De acordo com Genta, a qualidade da fruta refletiu na comercialização, com a venda fácil de tudo o que se produziu e por preços considerados satisfatórios, variando entre R$ 4 e R$ 6 o quilo, dependendo da variedade. A Itália e a Benitaka têm mercado garantido, mas as estrelas da viticultura de Marialva atualmente são a Vitória, que não tem semente, e a Núbia. Ambas começaram a ser produzidas no município nos últimos dois anos e seduzem cada vez mais plantadores.

O produtor Antonio Peres Martines cultiva quatro hectares de parreiras em sua propriedade na Estrada Marialva e se mostrou satisfeito não somente com o resultado da safra de verão, mas também com as promessas de uma boa safra de inverno, que os viticultores chamam de 'temporona'.

Segundo ele, o clima está ideal "para que tenhamos uma excelente safra em maio e junho". A secretária da Cooperativa Marialvense dos Fruticultores (Comafruti), a também produtora Sônia Faria Gallo, concorda com Martines e acha que é possível que a 'temporona' seja a melhor safra dos últimos anos, tanto em volume, quanto em teor de açúcar.

Martines fechou a colheita com a média de 10 toneladas por hectare, média alcançada pela maioria dos produtores. "É um volume bom, quando comparamos com as últimas safras, mas o ideal seria o dobro disto", diz.

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