Com as máquinas no campo desde o início do mês, os produtores de arroz irrigado do Baixo Ivaí estão confiantes de que ao final da colheita terão colhido pelo menos 42% a mais do que na safra passada, quando a cultura foi prejudicada pelo excesso de chuvas. A previsão do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná é que a safra que está sendo colhida produzirá 149 mil toneladas.

O arroz irrigado é a base da economia de Querência do Norte (a 149 quilômetros de Maringá) e municípios vizinhos, respondendo por praticamente toda a produção do Paraná. Apesar do volume considerado bom para uma safra regular, como esta, o Paraná produz apenas 30% do arroz que consome e precisa importar os outros 70% de Estados produtores, como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

"Estamos colhendo uma safra boa, mas ainda é menor do que poderíamos produzir", diz o presidente da Associação dos Produtores de Arroz Irrigado do Paraná (Apai-PR), Kléber Hudson Canassa. Segundo ele, as temperaturas estiveram baixas na época da formação dos cachos e isto prejudicou o rendimento da planta.

Apesar de o volume colhido ainda não ser o ideal, não se compara com o do ano passado, quando muitos produtores tiveram prejuízos e alguns chegaram a não colher nada. O excesso de chuvas em dezembro de 2015 e janeiro de 2016 provocou cheias no Rio Ivaí e afluentes, deixando as áreas de produção da região de Querência do Norte debaixo de água por muitos dias, causando o apodrecimento de raízes e até mesmo dos cachos. Com os problemas, somente as áreas mais altas conseguiram produzir bem, mas o total da região ficou em apenas 100 mil toneladas no segundo ano consecutivo de safra ruim, o que foi sentido na mesa do paranaense com o aumento do preço do cereal nos supermercados.

O produtor Elias Fernandes perdeu no ano passado cerca de 20 alqueires de seu plantio e amargou um prejuízo próximo de R$ 400 mil, ficou com dívidas nos bancos, mas considera que a safra deste ano compensará a frustração do ano passado. Ele está colhendo uma média de 111 sacas por hectare, volume bem próximo do ideal.

Desde a semana passada as colheitadeiras estão trabalhando das 6 às 22 horas, inclusive nos finais de semana, e, segundo o presidente da Apai, este ritmo deverá ser mantido até o final da colheita.

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