Comissões nomeadas pelo governo do Estado iniciaram reuniões regulares para definir as bases do Programa Paraná Agroecológico, que deverão ser referendadas pela Câmara de Agroecologia do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (Cedraf). O projeto deverá ser concluído ainda no primeiro semestre deste ano, mapeando as políticas para o setor de acordo com a vocação agrícola de cada região.

Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, a preocupação maior é com a organização da produção, bem como com a qualidade do alimento que chega à mesa do paranaense. Segundo ele, o nível de resíduos químicos que vem sendo apresentado por hortaliças, legumes e frutas analisadas pela Secretaria de Saúde, é preocupante e requer providências.

"O carro-chefe do Paraná Agroecológico será a olericultura, atividade que envolve milhares de pequenas propriedades rurais em todo o Estado que produzem milhões de toneladas dos alimentos que chegam à mesa das famílias", explica o agrônomo Luiz Carlos Zandoná, diretor-presidente do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), órgão ligado à Secretaria da Agricultura encarregado de coordenar as ações do projeto. Ele cita que a sociedade está cobrando a oferta de produtos seguros e saudáveis, uma demanda que está crescendo em torno de 40% ao ano.

A espinha dorsal do Programa Paraná Agroecológico foi elaborada em Maringá há cerca de 10 anos, quando um grupo, liderado pelo professor doutor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) José Ozinaldo Alves Sena, propôs ao governo do Estado um mapeamento e definição de políticas específicas para cada região do Estado para apoiar os produtores agroecológicos. Na época, o governo não se empenhou, mas recentemente a ideia foi retomada com reapresentação da sugestão no ano passado.

Em Maringá, alguns passos já estão adiantados. Cerca de cem famílias de pequenos produtores rurais produzem dentro dos princípios da ciência Agroecologia, há uma associação que congrega os produtores, a Naturingá - Cooperativa de Consumo Consciente e Comércio Justo e Solidário, e há locais específicos para a venda dos produtos, como a Feira de Orgânicos, que acontece ao lado da Catedral, uma feira uma vez por mês em um shopping center e a venda direta de produtos para a composição da Merenda Escolar e entidades filantrópicas.

"Os pequenos são os responsáveis pelos produtos que compõem a alimentação das famílias", diz o professor Sena.

A agroecologia refere-se à agricultura a partir de uma perspectiva ecológica. Tem como unidades básicas de análise os ecossistemas agrícolas, abordando os processos agrícolas de maneira ampla, não só visando maximizar a produção mas também otimizar o agroecossistema total - incluindo seus componentes socioculturais, econômicos, técnicos e ecológicos.


QUALIDADE. Produzir alimentos mais saudáveis é o principal objetivo da agroecologia. —FOTO: JC FRAGOSO

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