O empresário Eder Hudson Veltrini, proprietário da Café Shop, uma loja especializada em cafés especiais, diz que apesar de se falar tanto em uma crise na economia nacional, o setor de café vai muito bem. Lá ele tem cafés que chegam a custar R$ 25 uma xícara. "Percebemos que há cada vez mais gente se dedicando à produção de cafés especiais, pois constantemente estão sendo oferecidas novas marcas e para todas elas há compradores", diz.

Entre as novas marcas está o Café Tamura, produzido por uma família de japoneses que chegou a Maringá quando ainda não existia a cidade, derrubou matas e plantou um dos primeiros cafezais do norte do Paraná. Depois das geadas que dizimaram a cafeicultura paranaense em 1975, a família comprou terras em Minas Gerais e hoje destina 400 alqueires ao café. Mas, a empresa continua em Maringá.

O jovem Michael Tamura, formado em Publicidade e Propaganda, se apaixonou por café há pouco tempo, mas de forma a mudar sua vida. Foi fazer cursos de degustador e de classificador de café, aprendeu a separar o café especial do café comum e, com sua experiência de publicitário, criou embalagens e formas de apresentar o produto. Hoje é o divulgador e vendedor do Café Tamura, vendido em lojas especializadas e por uma rede de supermercados de Maringá.

"O Paraná sempre foi grande produtor de café, o maior do Brasil, mas nunca se preocupou com qualidade", diz o economista Paulo Sérgio Franzini, da Secretaria da Agricultura, coordenador do Concurso Café Qualidade Paraná e também coordenador da Câmara Setorial do Café.

Com sua experiência de mais de 30 anos dedicados à área do café, Franzini diz que há cada vez mais proprietários rurais se dedicando à produção de cafés especiais. "Enquanto a cafeicultura cresce entre 1% e 2% ao ano, o segmento de cafés especiais cresce entre 20% e 30%", diz. Estes cafés considerados gourmets chegam a custar três, quatro até cinco vezes mais do que os cafés considerados comuns e tanto vendem bem no mercado interno quanto têm facilidade para exportação.

Mandaguari, onde estão mil dos 1,7 mil hectares de café do Paraná, colhe café comum, café tipo exportação, o chamado café de qualidade, e café especial. "Não há plantio de café especial", explica Franzini. Segundo ele, é o produtor, por meio dos tratos, adubações corretas, colheitas na hora e da maneira correta que garante a qualidade do grão, ajudado, é claro, pelo clima.

O empresário José Sandeski Neto, dono da Antenas Aquário e da Perfileve, dedica boa parte de seu tempo a cuidar de um pequeno cafezal em seu Recanto das Águias, onde acompanha pessoalmente os tratos culturais, colheita, torra, embalagem e até a venda do café que leva seu nome.

Não é pelo dinheiro que dá, é pelo prazer de se fazer o que gosta da melhor maneira, diz Sandeski, que há alguns meses vende pessoalmente o Café Sandeski, em grãos ou moído em saquinhos de 250 gramas ou em latas.

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