A Sigatoka negra e a Sigatoka amarela, principais doenças dos bananais, causando a destruição das folhas e afetando a produção e tamanho dos frutos, estão sendo estudadas pelo Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Emater, no maior levantamento já realizado no Paraná desde que foram registrados os primeiros casos da Sigatoka negra, a mais destrutiva doença da bananeira no mundo.

O trabalho está na fase de coleta de amostras em diversas regiões produtoras do Estado. O fungo está sendo isolado e a partir daí será possível saber se é o mesmo em todas as regiões e se é semelhante ao que ocorre em outros países. Em algumas regiões da América Central, a Sigatoka negra quase levou a banana a extinção e hoje, para conseguir produzir, os produtores fazem até 50 aplicações de fungicidas por ano, aumentando as despesas de produção, que acabam repassadas para o consumidor final.

"O fungo causador da Sigatoka negra foi primeiro descoberto na Ásia e há pouco tempo chegou à América, primeiro na América Central, depois chegou à do Sul e entrou no Brasil pela região da Amazônia. Os primeiros casos foram relatados em 1988 na região Norte, mas hoje em todos os Estados já foi confirmada a ocorrência", disse o professor doutor Eliezer Rodrigues de Souto, coordenador do laboratório de Biotecnologia Vegetal do curso de Agronomia da UEM. Ele e o também professor doutor Dauri José Tessmann estão conduzindo o estudo, que envolve alunos da pós-graduação e terão as doenças dos bananais como temas de suas dissertações de mestrado.

Complicadores

De acordo com Souto, condições climáticas, como calor excessivo e muita chuva, favorecem o desenvolvimento da doença. Tanto que as regiões litorâneas têm sido as mais atingidas. "Os técnicos da Emater, que têm trabalho de campo, têm informações sobre áreas em que mais está ocorrendo a doença e, com base neste estudo, poderemos avaliar o avanço da doença desde os primeiros relatos, que fatores fazem com que algumas áreas sejam mais afetadas, e os graus de severidade".

No Paraná, atualmente os produtores fazem uma média de 5 a 10 aplicações de fungicidas por ano. Além do fungicida, outras medidas são adotadas, como podas das plantas comprometidas e mudanças de área de plantio. "A ideia é trabalhar integrado com a Emater para buscar alternativas para o controle da doença no futuro ou, pelo menos, oferecer condições para que o produtor consiga conviver com ela", diz o professor.

Segundo o engenheiro agrônomo da Emater Sebastião Belettini, que fez curso de Mestrado na UEM, "o que se busca é submeter as duas doenças a um diagnóstico mais confiável, envolvendo aplicação de técnicas moleculares baseadas em reação em cadeia da polimerase (PCR), a qual amplifica uma sequência específica do DNA do patógeno, tornando os dados sobre a variabilidade genética das populações dos dois agentes da Sigatoka, severidade das doenças, sintomas e diferenciação entre as Sigatoka negra e amarela mais precisos".

PERDAS
100% pode ser o prejuízo em uma lavoura com fungos, não atingindo valor comercial.
50 é a média de aplicações com fungicidas por ano em países vizinhos contra a Sigatoka.

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