Passada a Quaresma, período tradicionalmente de consumo menor de carne bovina, os pecuaristas paranaenses acreditam que os preços do boi pronto para abate voltem aos patamares normais de antes da deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que revelou um esquema de corrupção que envolvia fiscais do Ministério da Agricultura e alguns dos principais frigoríficos do Brasil. Hoje, a arroba do boi ao produtor está em média R$ 5 abaixo de antes da Carne Fraca.

"O início da operação da PF completou um mês nesta segunda-feira, as exportações já voltaram à normalidade e a maioria das plantas que tiveram problemas já foram liberadas, mas o valor para o produtor ainda não retornou", disse ontem o diretor de Pecuária da Sociedade Rural de Maringá, Jucival Pereira de Sá. "Como sempre, a corda arrebenta do lado mais fraco e o produtor é quem paga o pato".

Logo nos primeiros dias da operação, os brasileiros acompanharam pelo noticiário embargos econômicos à importação da carne nacional, uma fiscalização intensa aos açougues e supermercados e a suspensão da produção em algumas unidades de grandes frigoríficos do País. O produtor, que a princípio não tinha qualquer responsabilidade no escândalo, foi atingido em cheio, primeiro com a redução das vendas, depois com a queda dos preços. Na região de Maringá, o preço da arroba caiu em torno de 10%.

"Além dos prejuízos com a diminuição das vendas e queda dos preços, o produtor foi penalizado porque os preços dos insumos continuaram os mesmos ou aumentaram", lembra Pereira de Sá, se referindo aos preços do sal mineral, medicamentos e vacinas.

Aos poucos, segundo o representante da Sociedade Rural, os preços começaram a "voltar". No Mato Grosso do Sul, onde está um dos maiores rebanhos do País, a arroba era vendida ontem a R$ 130, depois de ter caído a R$ 126, mas ainda está longe de alcançar os R$ 136 de antes da Operação Carne Fraca. No interior de São Paulo a arroba despencou de R$ 152 para 138 e ainda não chegou a R$ 145, na região de Maringá estava ontem a R$ 142, mas a expectativa é que chegue a R$ 145 nos próximos dias.

"Depois do susto inicial, a tendência é de retorno à normalidade e fica difícil entender o porquê de os preços estarem tão baixos para o produtor se as exportações estão normais e os frigoríficos já voltaram a funcionar normalmente", explica Pereira de Sá.

A dúvida para os criadores agora está em vender ou não vender o boi com preço baixo. Segundo Jucival de Sá, alguns produtores da região estão conseguindo segurar o gado no pasto à espera de uma situação melhor, mas quem não pode esperar está vendendo em desvantagem, apesar de saber que não vender agora é o melhor meio de forçar os frigoríficos a voltarem a pagar os preços de antes do início da Operação Carne Fraca.

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