A região de Maringá vai encerrar o ano agrícola 2016/2017 – que termina no dia 31 de julho – com uma produção de mel entre 70% e 80% maior do que no período anterior, o que volta a colocar o Paraná entre os maiores produtores do Brasil e o terceiro maior exportador do produto. Maringá é a cidade que mais exporta mel no Paraná.

A notícia está sendo comemorada pelos apicultores da região que, no ano passado, praticamente não colheram mel, e pelos exportadores que, dessa vez, não precisarão trazer o produto de outros Estados para cumprir contratos no exterior.

No ano passado, o exportador Carlos Alberto Domingues, proprietário da Supermel/Apiário Diamante, precisou contar com as safras de Minas Gerais e do Nordeste para cumprir contratos com países da Europa e, mesmo assim, suas exportações caíram cerca de 20%. A situação foi ainda pior, pois a quebra da produção aconteceu justamente no momento em que a elevação do dólar possibilitaria bons preços. Isso afetou a balança comercial maringaense, já que o município é um dos três maiores exportadores do Brasil e tem no mel sua sexta commoditie mais exportada.

Do início de janeiro até o final de março a Supermel mandou 30 contêiners de mel para o exterior, cada um com 19 mil quilos. A previsão é de que a empresa vai exportar cerca de 2,5 mil toneladas neste ano.

De acordo com o zootecnista Ricardo Cazotti, produtor e presidente da Associação dos Apicultores do Noroeste Paranaense, o crescimento da produção de mel é importante para a economia não somente devido à exportação, mas principalmente por tratar-se de um produto da agricultura familiar. "A criação de abelhas geralmente é a segunda ou terceira opção de produção em uma propriedade, mas é uma fonte de renda constante, é dinheiro que circula na cidade".

Segundo Cazotti, o mel da região de Maringá tem boa aceitação por ser produzido por abelhas saudáveis, ao passo que, em outros países, geralmente os produtores precisam usar medicamentos e antibióticos para assegurar a saúde das abelhas e isso afeta a qualidade do produto.

Boa parte do mel produzido na região de Maringá é entregue à indústria a R$ 12,50 o quilo, em estado bruto, geralmente ainda no favo. Já os criadores que têm centrífuga na propriedade e fazem a decantação do produto entregam a R$ 20 ou fazem a venda diretamente nos mercados, feiras e nas feiras da agroindústria por valores entre R$ 20 e R$ 25 o quilo.

"Tudo indica que vamos fechar este ano agrícola com uma das melhores produções dos últimos anos, graças ao equilíbrio do clima", diz a produtora Lígia Mara Jung, de Floresta. Sua família é a maior produtora de mel da região e a mãe, Albertina Jung, tem sido apresentada em eventos da agricultura como case de sucesso.

"No ano passado, quando o excesso de chuvas derrubou o pólem das flores e deixou as abelhas sem alimentos, nossa propriedade não produziu nem 30 quilos de mel. Dessa vez, já retiramos mais 1,7 mil quilos e vamos tirar ainda mais, porque as floradas estão boas", diz Lígia.
Uma das esperanças de muito mais mel nos próximos meses é a florada do eucalipto, que começa nas próximas semanas e, em seguida, começa a da laranja.

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