Apresentada ao mundo há duas semanas, a primeira raça de gado genuinamente paranaense é uma das grandes atrações da 45ª Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá) e chama a atenção dos produtores pelas muitas vantagens que tem sobre raças importadas, como rusticidade, adaptabilidade, rendimento de peso e resistência a parasitas como carrapatos, bernes e mosca do chifre.

A criação do Purunã – o nome é uma referência a Serra de São Luiz do Purunã, local onde foi desenvolvida a raça - é resultado de mais de 40 anos de pesquisas e experiências pelos geneticistas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), órgão estadual de pesquisa agropecuária. Além de ser a primeira raça verdadeiramente paranaense, a Purunã é a primeira do Brasil desenvolvida por um órgão estadual e a segunda criada no território nacional. A primeira é a Canchim, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).

Os oito exemplares da nova raça chegaram na noite de segunda-feira à Expoingá e ontem foram objeto da curiosidade dos pecuaristas. Afinal, praticamente ninguém da região conhecia o gado que foi desenvolvido na Fazenda Experimental da Embrapa, em Ponta Grossa, e que hoje já conta com cerca de 3 mil reses, a maioria já nas mãos de produtores do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A perspectiva é que em quatro anos pelo menos 10 mil matrizes de gado Purunã já estejam registradas. Atualmente, existem exemplares em Patos de Minas (MG) e em São Paulo. Criadores da Bahia estão dispostos a fazer parceria para avaliação da genética no Estado.

A nova raça foi definida há cerca de cinco anos, mas o reconhecimento pelo Ministério da Agricultura somente aconteceu em novembro do ano passado. No dia 26 de abril foi feito o lançamento oficial em Curitiba.

"Agora, com registro, o Purunã já pode ser exportado como uma raça, pode ser comercializado, inclusive, o sêmen", disse ontem o médico veterinário Ricardo Cauduro, do Iapar, integrante da equipe que criou o novo gado. "O desafio do Iapar e da Associação de Criadores de Gado Purunã é aumentar a produção de matrizes para atender a demanda, pois muitos pecuaristas reconhecem as vantagens da nova raça e querem criá-la".

Quatro em um

A princípio, o objetivo do Iapar era melhorar o padrão do gado de corte paranaense, buscando maior rendimento e melhor qualidade da carne, mas os geneticistas perceberam que poderiam aproveitar as melhores qualidades de algumas raças em uma única raça. Primeiro foi feita a seleção de gado que se adaptava melhor às condições paranaenses e quatro raças foram escolhidas para os experimentos.

No final, Purunã é resultado do cruzamento dessas linhagens. "O boi Purunã é 41% de Charolês, 9% de Zebu, 25% de Caracu e 25% Angus", explica Cauduro. "Do Charolês, herdou cortes nobres e alto ganho de peso, do Zebu, tem a rusticidade e resistência a parasitas; a docilidade e ampla adaptabilidade do Caracu e a precocidade, alta fertilidade, marmoreio e a cobertura de gordura revelam uma carcaça de alta qualidade, característica adquirida do Aberdeen Angus".

Assim, a raça 100% paranaense incorporou características como tolerância ao calor, resistência ao carrapato, temperamento dócil, elevada proporção de cortes nobres e maciez da carne são alguns dos aspectos transferidos.

Para o veterinário do Iapar, uma das características fundamentais do Purunã é a habilidade materna vinda da raça Caracu. As vacas Purunã permanecem com suas crias por mais tempo do que as de outras raças e isso é muito importante para garantir a vida e a saúde dos bezerros.

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