Os produtores rurais da região de Maringá estão colhendo nos 240 mil hectares plantados com milho safrinha a maior safra de milho dos últimos anos, porém não têm grandes motivos para comemorar, já que os preços do produto no mercado interno devem apenas cobrir os custos de produção. Ontem, a saca de 60 quilos era vendida em Maringá por R$ 17, ao passo que nesta mesma época do ano passado os agricultores entregavam por até R$ 45.

De acordo com Departamento de Economia Rural (Deral), até ontem, cerca de 55% do milho plantado na área do Núcleo de Maringá da Secretaria da Agricultura e Pecuária já tinham sido colhidos, mas a colheita deve avançar até meados de agosto, já que em vários municípios sobre o Arenito Caiuá o milho ainda está na fase de amadurecimento.

De acordo com a técnica Ivani Marangoni, do Deral, a produtividade alcançada está acima do que havia sido estimado. A expectativa era de 5,4 mil quilos por hectare e os produtores estão conseguindo uma média de 6,4 mil quilos. "Nas primeiras semanas de colheita a produtividade costuma ser alta, mas pode acontecer uma leve queda a partir de agora, mas a tendência é de que tenhamos uma safra ótima, com o recorde previsto".

Segundo o Deral, neste ano os produtores plantaram cedo – a partir do final de janeiro –, de modo que quedas na temperatura e possíveis geadas já encontrarão o milho em ponto de colheita, sem qualquer prejuízo. Outro fator que contribui para o desempenho da safra é o clima, com chuvas equilibradas desde a fase de plantio.

O cenário é bem diferente do ano passado, quando o excesso de chuvas em janeiro e fevereiro atrasou a colheita da soja e o plantio do milho. Além disto, no ano passado a safra enfrentou períodos de muita chuva, seca prolongada e boa parte da plantação foi atingida por geadas.

"Nesta safra, a produtividade está quase o dobro do que o que se conseguiu na safra passada, quando a média de produção na região não passou de 3,8 mil quilos por hectare", compara Ivani.

Sem esperança

A safra recorde não anima os produtores, que até preferiam estar produzindo menos, desde que os preços compensassem. Segundo os cálculos de quem produz, vendendo o milho a R$ 17, como é o preço atual, eles mal conseguirão cobrir os custos de produção.

Os irmãos João, José e Nelson Marangoni, que arrendam terras em vários pontos da região, colhiam ontem 100 hectares que plantaram na Estrada Pinguim com a sensação de quem trabalhou de graça.

"Nós mesmos dirigimos as colheitadeiras e os caminhões, porque se pagássemos pelo menos um empregado teríamos que tirar do bolso", explicou Nelson. De acordo com ele, os consultores afirmam que não há esperança nesta safra, pois há excesso de milho no mercado interno e há poucas chances de exportação diante da safra gigante que será colhida pelos Estados Unidos.

Participe e comente