As cotações de soja, milho e de farelo de soja continuaram caindo na primeira semana de agosto e entram a segunda semana com probabilidade de mais queda, refletindo as expectativas de safra recorde brasileira e de safra cheia nos Estados Unidos, o enfraquecimento da demanda interna e externa e aquisição de lotes apenas para entrega imediata por parte de compradores domésticos.

Ontem, a soja era comercializada em Maringá a R$ 57 a saca de 60 quilos, valor maior apenas do que valia em abril deste ano e 23,7% menor do que os preços de agosto do ano passado, quando era vendida a R$ 74,67. Já o milho, que ontem estava a R$ 17 na região de Maringá, chegou ao mais baixo valor dos últimos cinco anos, menos da metade dos R$ 35,02 praticados no dia 7 de agosto do ano passado.

De acordo com o analista Vanderlei Zucoli, o preço do milho atualmente não é muito diferente dos R$ 19 de 2015, "mas o agravante é que naquela época os custos de produção eram bem menores do que os de hoje", explica. Como o preço do grão caiu e o dos insumos subiram, "neste ano dificilmente sobrará dinheiro para o produtor", complementa ele.

Zucoli diz que na situação atual, o produtor precisará colher no mínimo 247 sacas por alqueire para cobrir os custos de produção e "mesmo alguns tendo colhido cerca de 300 sacas por alqueire, isto não é regra, na medida em que a colheita vai avançado, em algumas áreas a produtividade será menor. E mesmo aqueles que produziram muito por alqueire também têm muitos investimentos para pagar, reposição e manutenção de máquinas e mesmo a manutenção da própria família".

Para efeito de comparação, Zucoli lembrou que no dia 7 de agosto de 2012, quando os produtores brasileiros viviam seus melhores dias devido à quebra da safra dos Estados Unidos, a saca de soja foi vendida em Maringá a R$ 71, o equivalente a US$ 35. Ontem, cinco anos depois, valia US$ 18,23. No caso do milho, a disparidade é ainda maior. Há cinco anos custava US$ 13,15 a saca e ontem apenas US$ 5,43 .

A queda nos preços, de acordo com Zucoli, é consequência do excesso de milho no mercado. Pelos cálculos que faz, o País deverá ofertar entre 115 milhões e 117 milhões de toneladas, mas o mercado interno deverá absorver cerca de 65 milhões de toneladas, principalmente pelo polo produtor de frango do Paraná e Santa Catarina.

"Portanto, haverá uma sobra de aproximadamente 50 milhões de toneladas, que correspondem a cerca de 80% de todo o valor a ser consumido em 2018", diz ele, alertando que resta ao produtor a esperança na exportação, que não se sabe ainda de quanto será devido ao excesso de milho também no mercado externo.

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