Terra seca é tudo que o produtor agrícola não deseja nesta época do ano. A longa estiagem, iniciada em julho e com raras chuvas até agora, atrasa em quase um mês o plantio da soja, causou perdas consideráveis no trigo, está prejudicando seriamente a safra da mandioca e agora afeta também os produtores de hortaliças, que estão gastando o dobro e até o triplo de água para irrigar suas plantações.

"Com tanto tempo sem chuvas, não há umidade no solo e fica impossível produzir hortaliças sem aumentar a irrigação", diz o engenheiro agrônomo Jorge Ogassawara, da Emater, que presta assistência a agricultores familiares. "Quem tem poço artesiano na propriedade vai gastar o dobro de energia elétrica para fazer a irrigação e os que não têm poço terão a produção reduzida".

A família Ito, maior produtora de hortaliças de Maringá, em uma propriedade ao lado do Jardim Hortência, agora mantém os aspersores ligados o dia inteiro para manter as plantações de alface, repolho e couve e está consciente de que no fim do mês vai pagar pelo menos o dobro em energia elétrica.

"As folhosas são muito sensíveis e, além da falta de chuvas, o calor está muito intenso, o sol forte e a umidade relativa do ar muito baixa", explica Ivan, líder da família. "Temos compromisso com supermercados e com a Ceasa, portanto não podemos baixar a produção".

A família Paschoeto, com hortas próximas à Gleba Pinguim, nas margens da PR-317, vive o mesmo dilema e aumentou tanto a irrigação por aspersão quanto a manual.

Segundo os produtores, o prejuízo é só deles, pois não conseguem repassar o gasto extra aos consumidores. Com a economia complicada do momento, eles dizem que se aumentar o preço das hortaliças, as vendas cairão. Assim, decidiram arcar com as despesas decorrentes da estiagem e torcer por chuvas contínuas a partir de agora.

Não irrigados

Com a experiência de muitos anos trabalhando com produtores de hortaliças, Ogassawara diz que, além das folhosas, que estão consumindo mais água mas continuam com o mesmo preço nos mercados, a estiagem terá consequências mais graves em plantas que não são irrigadas, como as abobrinhas, tomate, quiabo, pimentão, cenoura, pepino.

"Alguns destes produtos não irrigados vão sumir dos mercados nos próximos dias ou terão os preços elevados devido à baixa produção", projeta.

Mesmo produtos que dão em árvore já começam a produzir menos. É o caso do limão. Ontem, nos supermercados de Maringá, o limão taiti era vendido a R$ 6,99 o quilo. Há cerca de um mês podia ser encontrado a R$ 1,99, R$ 1,50 e até abaixo de R$ 1. De acordo com revendedores de limão na Ceasa de Maringá, a caixa do produto chegou a R$ 100 nesta semana, o triplo do preço normal.

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