O plantio da soja da safra de verão, que no ano passado teve início no noroeste no dia 10 de setembro – embora o vazio sanitário só terminasse 13 dias depois -, neste ano ainda não começou e os produtores da região não fazem a menor ideia de quando depositarão os primeiros grãos no solo. Isso porque não chove desde o dia 20 de agosto e não há previsão de chuva pelo menos por mais uma semana.

Mas, a preocupação maior dos produtores não é com chuvas que permitam o plantio, mas sim com a regularidade de chuvas durante o ciclo da soja. O professor Expedito Rebello, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura, alerta que há possibilidade de ocorrer o retorno do La Niña, um fenômeno bastante temido, uma vez que ele corta as chuvas do Sudeste e do Sul do País. Em suas últimas ocorrências, nos anos de 2005, 2009 e 2012, o La Niña trouxe vários transtornos para a produção e resultou em quebras de safra.

Por enquanto, segundo Rebello, a presença do fenômeno é apenas uma projeção baseada na existência de águas mais frias no Oceano Pacífico, próximo ao Peru e ao Equador. Entretanto, quem define essa presença são as correntes de vento, que podem sofrer alterações daqui em diante.

O meteorologista prevê que as chuvas devem voltar ao Sul e ao Sudeste somente no fim de outubro, com uma melhora mais expressiva no quadro em novembro. Se isso se confirmar, vai gerar um dilema para aqueles produtores que desejam plantar mais cedo, como os dos municípios de Floresta, Ivatuba e Itambé, que geralmente abrem o plantio no noroeste do Paraná. O plantio mais cedo, segundo Vamir Formágio, de Ivatuba, o primeiro a plantar no ano passado, é para fugir da ferrugem asiática e, principalmente, para que o campo esteja livre para o plantio do milho safrinha no fim de janeiro ou início de fevereiro. Segundo ele, plantando o safrinha mais cedo, escapa-se de possíveis geadas no meio do ano.

O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), que na semana que vem terá pronta sua previsão de chuvas para a primavera, também concorda que os agricultores não terão chuvas "de verdade" antes de meados de outubro, embora considere que no início da primavera pode chover o suficiente para possibilitar o início do plantio da soja. Segundo a meteorologista Ana Beatriz Porto, já choveu em algumas regiões do Paraná nos últimos dias, mas foram chuvas pontuais e em pouca quantidade. "Desta terça-feira até domingo será um período de estabilidade total em todo o Estado".

Produtividade maior

O noroeste do Paraná vai plantar mais soja neste verão do que na safra passada. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, na região de Maringá o aumento de área para a soja será em torno de 2,5% e estima-se uma produtividade entre 3,2 mil quilos por hectare e 3,6 mil. A previsão é feita com base nos resultados das três últimas safras.

Participe e comente