Sem sequer uma nuvem no céu e sem o mínimo de umidade no solo, produtores rurais de Floresta, Ivatuba e Itambé fizeram suas máquinas trabalhar dia e noite desde o dia 21 de setembro, dando início ao plantio da safra de soja de verão. Com a experiência de quem planta há vários anos, eles confiavam que em, no máximo uma semana choveria e, mais uma vez, acertaram. Na quinta-feira começaram as chuvas depois de uma estiagem de 40 dias e a previsão é que a partir de hoje as primeiras plantas comecem a brotar.

Nos municípios às margens do Rio Ivaí, cerca de 20% da área destinada à soja foi semeada no pó. Isto equivale a 4% do total da região polarizada por Maringá, composta por 32 municípios.

"Houve um atraso para o início do plantio, mas ele afetou somente aqueles produtores que plantam prematuramente", disse o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), Moisés Barion Bolonhez. "A maior parte dos produtores tradicionalmente só começa a plantar na primeira semana de outubro, o que significa que a partir desta semana haverá plantio em praticamente todos os municípios da região".

O produtor Flávio Kobata, de Floresta, que em todos os anos é um dos primeiros a plantar, foi o primeiro também neste ano, só que com três semanas de atraso. Ele pretendia plantar por volta do dia 5 de setembro, mas, sem previsão de chuva, foi adiando até o dia 21. A pressa em plantar o mais cedo possível é para que se possa colher na virada de janeiro para fevereiro e assim iniciar o plantio do milho safrinha. Os produtores temem que plantando o safrinha tarde, a planta corre o risco de ser prejudicada por geadas ou estiagem prolongada em meados do ano que vem.

"O problema de começar com atraso é que vou terminar atrasado", disse ontem o agricultor Agnaldo Campagnoli, que planta em propriedades em Itambé, Ivatuba e Floresta. "Se tivesse começado na época certa, a esta hora já estaria com tudo plantado, mas como só pude iniciar o plantio com duas semanas de atraso, só devo terminar o serviço na segunda quinzena, se o tempo colaborar".

Para o técnico Renan Vinícius Valdez, da unidade da Cocamar em Floresta, o atraso no início não deverá afetar o resultado final se as chuvas se mantiverem regulares de agora até o fim de dezembro. As cooperativas agrícolas estão procurando facilitar o trabalho do plantador, liberando sementes, adubos e demais insumos para que o trabalho aconteça com rapidez, aproveitando-se os dias de sol.

Para a Secretaria da Agricultura, a estimativa de produção para a soja está sendo calculada com um intervalo entre 18,4 e 20,6 milhões de toneladas no Paraná. Porém, essa previsão está sujeita ao clima. A média prevista, de 19,5 milhões de toneladas, é 2% menor que a da safra anterior, que teve as melhores condições de clima dos últimos anos.

Na região de Maringá, diferente do previsto para o Estado, o Deral calcula uma produção maior do que em 2016/2017 devido ao aumento da área em mais de 2,5%. Na safra anterior, a área plantada foi de 260 mil hectares, que agora sobe para 271 mil devido ao aproveitamento de parte das terras que eram ocupadas por canaviais, mandioca e pastagens.
Com base nos resultados das últimas safras, o Deral estima que a região de Maringá deverá produzir nesta safra entre 3,2 mil e 3,6 mil quilos de soja por hectare.

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