Tecnologia foi a palavra de ordem na mais recente edição do SafraTec – Encontro de Soluções em Agronegócios, realizado na semana passada na unidade tecnológica da Cocamar, em Floresta, e um dos temas que aparentemente mais chamou a atenção dos produtores foi o uso de drones para desempenhar diferentes funções na propriedade rural. De acordo com engenheiros agrônomos, técnicos das cooperativas e dos próprios agricultores, esta é uma tendência sem volta.

Hoje com preços mais acessíveis, os veículos aéreos não tripulados (vants) sobrevoam o campo e funcionam com se fossem um olhar apurado sobre a propriedade. Equipados com câmeras, lentes especiais e sensores, se tornaram aliados cada vez mais importantes no monitoramento das lavouras, na localização de falhas no plantio, estresse hídrico, podendo denunciar precocemente o surgimento de pragas e doenças.

O trabalho do drone concorre com imagens feitas por satélite e fotografias feitas de avião, porém, têm a vantagem do custo menor, mais agilidade no resultado e pode ser operado pelo pessoal da própria fazenda.

O engenheiro agrônomo Luiz Fernando Crepaldi, de Maringá, pós-graduando em Georreferenciamento de Imóveis Rurais e Urbanos, não tem dúvidas de que os drones serão aliados cada vez mais presentes nas propriedades e foi esta certeza que o levou a deixar, em meados do ano passado, uma sociedade que tinha em um viveiro de plantas para criar uma empresa especialmente para ofertar, aos agricultores, serviços por meio de drones.

Os primeiros meses foram de estudo das viabilidades, compra do aparelho e treinamento. Somente no fim do ano a Bentech estava pronta para começar a trabalhar.

"A tecnologia que empregamos gera informações técnicas precisas, válidas e confiáveis, além de uma qualidade e nível de detalhamento de imagens superiores a outros métodos, sendo uma ferramenta de auxílio que facilita e agiliza tomadas de decisões", explica.

De acordo com Crepaldi, esta nova tecnologia realiza mapeamentos detalhados da propriedade em formatos como, por exemplo, ortomosaicos, modelos digitais de terrenos e de superfícies, curvas de nível, relevos, levantamentos planialtimétricos, levando à previsão de produção a partir do acompanhamento de todo o desenvolvimento da lavoura e da identificação de problemas.

"O aparelho poderá identificar um problema, qual sua dimensão e localização, e a partir de seus dados o agricultor pode ir até o local para as ações necessárias".

O agrônomo diz que o drone pode ser um aliado também para se definir em que área plantar e, por sua visão do alto, mostra quais áreas estão mais propícias para a semeadura. Em outra fase, pode mostrar se a lavoura está desenvolvendo como o esperado, possibilitando ao produtor "sobrevoar" a plantação com a frequência desejada – uma vez por semana, a cada quinzena, por exemplo -, captar as imagens e depois analisá-las cronologicamente no computador.

A empresa de Crepaldi está ainda no início e por enquanto se preocupa em aperfeiçoar-se no monitoramento de lavouras, mas não descarta mais adiante oferecer também trabalho de pulverização em partes específicas da plantação. Já existem protótipos que conseguem embarcar até 18 litros de químicos. Segundo os técnicos, a aplicação feita pelo drone pode ser mais eficiente pela proximidade das plantas e mais segura por não ter que levar um piloto.


EMPREENDEDOR. Luiz Crepaldi tem empresa especializada em serviços por meio de drones. — JC FRAGOSO


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