Os mesmos produtores rurais do noroeste paranaense que até meados de dezembro olhavam para a lavoura de soja e sentiam a redução na produtividade a cada dia a mais de estiagem, agora torcem pela volta do sol, já que as chuvas que começaram há 15 dias e se intensificaram na virada do ano estão provocando o aumento de pulgões e podem levar a doenças, já que com tanta chuva está impossível fazer as aplicações regulares de defensivos.

"Quando as chuvas começaram, na semana anterior à do Natal, foi um alívio, porque os dias de estiagem já estavam afetando as plantas", diz o produtor Romualdo Cassiolari, que cultiva 43 alqueires de soja nas margens do Rio Pirapó. "Acho que muitas lavouras tiveram a produtividade comprometida pelo sol, mas logo depois das primeiras chuvas era possível ver a recuperação das plantas e os agricultores voltaram a confiar em uma boa safra. Mas, o problema é que com tantos dias seguidos de chuva não dá para entrar com as máquinas para fazer a pulverização de defensivos e assim há o risco de infestação de pulgão. Na minha propriedade, por exemplo, é visível o aumento de pragas e se não for feita a pulverização imediatamente vamos ter prejuízo na colheita".

Em Maringá, em apenas 24 horas entre a tarde do feriado de Ano Novo e a de ontem choveu 113,7 milímetros e a previsão era de a chuva continuar à noite.

De acordo com o engenheiro agrônomo Emerson Nunes, coordenador técnico de culturas anuais da Cocamar, a recuperação apresentada pela soja foi visível e pode ser percebida nos relatórios apresentados pelas unidades operacionais da cooperativa. Neles, os técnicos avaliaram que a perspectiva de produtividade, antes em declínio por causa da estiagem, tende a retornar aos níveis estimados inicialmente, ao redor de 3,2 mil a 3,3 mil quilos por hectare.

De acordo com o agrônomo, quem ainda não aplicou fungicida para a prevenção da ferrugem asiática ou de inseticida para o controle de percevejo, por exemplo, agora não consegue fazê-lo, a menos que contrate avião agrícola. E, quem pulverizou, sabe que o efeito residual do produto está chegando ao fim, sem conseguir repetir a dose.

Já foram detectados focos de ferrugem nos municípios de Ourizona, Ângulo, Sertaneja, Sertanópolis e Londrina. "Se não houver controle, esses focos tendem a disseminar-se e levar a uma redução de produtividade", completa Nunes.


EXCESSO. Lavouras podem ter prejuízos com a chuvarada que há 15 dias não dá trégua —: JC FRAGOSO


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