O Consórcio Antiferrugem confirmou ontem a identificação de um foco de ferrugem asiática em uma propriedade de São Jorge do Ivaí, aumentando a preocupação dos produtores de soja, já que nos últimos dias foram encontrados focos também em Ourizona e Ângulo, na região de Maringá. Em todo o Estado já são 51 casos e esporos da doença, transportados pelo vento, têm sido encontrados em inúmeras lavouras.

De acordo com o engenheiro agrônomo Rafael Furlanetto, coordenador técnico de Culturas Anuais da Cocamar, o aumento dos casos na região de Maringá é consequência das chuvas contínuas desde o início da segunda quinzena de dezembro, impedindo que os produtores mantivessem a regularidade das aplicações de defensivos. Segundo ele, além da possibilidade do surgimento de doenças como a ferrugem asiática, a falta das pulverizações contribuiu para o aumento das pragas normais da lavoura de soja, como o pulgão.

Segundo o técnico, até agora não há confirmação de redução na produtividade, de modo que a Cocamar e o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura trabalham com a estimativa inicial de 3,2 mil a 3,3 mil quilos por hectare, aproximadamente.

Para o agrônomo Emerson Nunes, também da Cocamar, muitos produtores aproveitaram a pequena trégua das chuvas na semana passada para pulverizar a lavoura, mas novas aplicações ainda podem ser necessárias. "Se não houve controle, os focos que já foram encontrados tendem a disseminar-se e levar a uma redução de produtividade", alerta.

O monitoramento dos focos de ferrugem na região de Maringá é feito pelas equipes do Projeto Manejo Integrado de Doenças (MID), formadas por técnicos da Emater e das cooperativas agropecuárias. Só no norte e no noroeste do Estado há 40 equipamentos de detecção de esporos, a maior parte deles nos municípios que iniciam cedo o plantio, como Floresta, Itambé e Ivatuba, regiões que tiveram problemas com ferrugem nas últimas safras.

Semeadura

A decisão do governo do Paraná de autorizar a semeadura de soja até 14 de janeiro, duas semanas além do limite do calendário oficial, foi criticada por técnicos e por fabricantes de defensivos, que dizem que, do ponto de vista fitossanitário, isto aumento o risco de resistência da ferrugem aos fungicidas. Segundo eles, a decisão foi tomada sem ouvir pesquisadores especializados.

A crítica está em uma nota assinada pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), pelo Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas e pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal.

O prolongamento do prazo para semeadura foi autorizado no dia 20 de dezembro por meio de uma Portaria em caráter excepcional para a safra 2017/2018. Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz, a extensão do prazo não traria riscos por estar dentro de uma margem de segurança adequada.

"A medida é excepcional e vale apenas para esta safra. Tivemos uma variação de clima muito grande em setembro, com seca prolongada e depois chuvas, o que atrasou a cultura do milho, do feijão e da soja. Isso impacta no desenvolvimento das lavouras", diz.


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