180 mil toneladas de farinha de trigo não puderam ser entregues até ontem, nos estabelecimentos de panificação do país, devido a greve dos caminhoneiros, que começou na segunda-feira da semana passada. Por dia, a demanda é de 22,5 mil toneladas. A informação é da Consultoria Trigo & Farinhas

AVÍCOLAS Uma atualização feita ontem, por volta do meio dia, junto a empresas frigoríficas que atuam no segmento de carne de frango, na região de Maringá e outras, pelo Estado, revelou que a paralisação era geral.

É CRITICO Nas granjas, nas propriedades rurais, os produtores economizaram rações durante a semana passada e a situação atingiu um ponto crítico, enquanto muitos outros não conseguem tirar aves que estariam prontas para o abate.

SAÚDE ANIMAL A paralisação da engrenagem de funcionamento do agronegócio de suínos e aves, talvez a mais grave por comprometer a saúde animal, deverá gerar sérios problemas sanitários e, segundo especialistas, o Brasil terá de estar preparado para um contingenciamento de problemas que até agora nunca foi vivido.

VETORES "Vamos ter situações graves, com a baixa resistência de aves e suínos especialmente pela restrição alimentar, colaborando para disseminação de bactérias", afirma Ênio Marques, por duas vezes secretário da Defesa Sanitária brasileira. As feridas causadas especialmente nas aves, que se bicam estressadas pela fome, são outras condutoras importantes de vetores de doenças.

SEM MANEJO "Imagina a quantidade de mortes por inanição e canibalismo e a falta de capacidade de manejo de muitas e muitas granjas, que não têm nem como retirá-los das propriedades", comenta Marques. Ele lembra também a dificuldade em manter a calefação a gás no Sul como outra variável que implica em mortes.

RISCO A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa 150 empresas e quase 100% do setor de aves e de suínos do Brasil, informa que por falta de condições de transporte pelas rodovias brasileiras, milhares de toneladas de alimentos estão ameaçadas de perderem prazo de validade, enquanto o consumidor já enfrenta a escassez de produtos. De acordo com a entidade, um bilhão de aves e 20 milhões de suínos estão recebendo alimentação insuficiente.

TUDO PARADO De acordo com a ABPA, 167 plantas frigoríficas de aves e suínos estão paradas e mais de 234 mil trabalhadores se encontram com atividades suspensas.

EM FALTA O desabastecimento de alimentos para o consumidor também já é fato e aproximadamente 100 mil toneladas de carne de aves e de suínos deixaram de ser exportadas na última semana. O impacto na balança comercial já é estimado em 350 milhões de dólares.

RETOMADA A ABPA calcula que após o final da greve, a regularização do abastecimento de alimentos para a população poderá levar cerca de dois meses.

E OS BOIS? Ainda no segmento de carnes, os pecuaristas também estão assustados com a situação, diante de pastos sofríveis – prejudicados pela seca em abril e agora pela chegada do frio -, o que demanda uma suplementação alimentar e nutricional.

PRECISA Normalmente o inverno é o período em que a maior parte do rebanho perde peso por falta de pastagens e depende de uma suplementação.

NAVIOS Nos portos, as cargas não entram pelo transporte rodoviário e em alguns locais, como Itajaí (SC), nem os navios conseguem chegar devido a bloqueios feitos por pescadores.

UMA SAÍDA As 16 entidades que formam o Fórum Nacional Sucroenergético (FSN) estão oferecendo à população a estrutura de suas unidades produtoras para abastecimento de etanol, bem como pede para que o órgão regulador autorize as distribuidoras retirarem o combustível das usinas e entregarem diretamente aos postos sem que passem pelas bases das mesmas.

FLUIR A FSN entregou ofício à Agência Nacional de Petróleo (ANP) nesse sentido, com o objetivo de colaborar com esse momento de crise e agilizar o processo, porque mesmo que alguns pontos de abastecimento comecem a fluir, a normalização da situação levará dias – caso ainda tudo se encaminhe pela normalidade.

ENGESSADO A ação do setor produtivo de etanol hidratado chega quando volta-se a discutir a necessidade de acabar com esse engessamento, que impede as usinas de venderem diretamente seus produtos aos clientes finais – os postos.

FICA MAIS BARATO O objetivo, segundo a FSN, é evitar o passeio do biocombustível e tirar do sistema um elo da cadeia, havendo menor incidência de impostos e um produto mais barato nas bombas. A legislação obriga que para isso as unidades produtoras montem suas próprias distribuidoras.


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