O melhoramento genético, a profissionalização dos criadores e maior procura da carne de carneiro são alguns dos fatores que levam a ovinocultura da região de Maringá a viver seu melhor momento. O plantel dobrou nos últimos 10 anos, pelo menos seis novas raças estão sendo introduzidas no rebanho regional e novos criadores estão surgindo.

Para o gerente de Eventos do Núcleo de Criadores de Ovinos da Região de Maringá (Ovinomar), economista Fernando Marcos Urgniani, um retrato claro da boa situação da ovinocultura está sendo a comercialização de animais durante a Expoingá. Nos três primeiros dias mais de 100 ovelhas e carneiros já tinham sido vendidos, número que superou as vendas de todos os dias das duas últimas edições da Expoingá.

"Na época em que se começou a falar em carneiros na região, o interesse do consumidor era pequeno, primeiro porque havia muito preconceito com relação à carne de ovinos, segundo porque boa parte dos criadores não dominava a tecnologia, não sabia ainda como fazer um bom manejo e muitas vezes o animal era abatido com idade avançada, o que deixava a carne pouco palatável", diz Urgniani.

Segundo ele, nos últimos anos a situação mudou porque o criador entendeu que estava na hora de se profissionalizar, buscando matrizes de qualidade e investindo em genética. "Hoje temos a profissionalização da cadeia completa, com criadores que produzem, engordam e encaminham para o abate", explica. Completando a cadeia, hoje a região conta com um abatedouro em Floraí e uma sala de corte está sendo instalada em Maringá, acabando com os chamados 'abates de fundo de quintal'.

"Além disto, hoje, a criação paranaense conta com uma das genéticas mais avançadas do Brasil e o produtor não depende mais de buscar material em outros Estados".

Outro fator que contribui é a chegada de novas raças, muitas delas voltadas para a produção de carne, como a Suffolk, também conhecida como Cara Negra, que atinge 80 quilos em 22 meses e oferece um rendimento de 65%. Outras raças que estão sendo introduzidas no rebanho regional com grande aceitação são a Corridale, Crioula, Bergamácia, Laucane e Hampshire Down, todas bastante conhecidas em outras regiões brasileiras.

As raças que já vinham sendo criadas na região nos últimos 15 anos, como a Dorper, Dorper White, Santa Inês, Ile de France e Poll Dorset estão sendo aprimoradas pelos investimentos em genética.


EVOLUÇÃO. As raças criadas na região estão sendo aprimoradas por investimentos em genética. — ARQUIVO DNP


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