Na relação com o esporte, é emblemática a data na qual o Diário comemora seu 44º aniversário. Desde o surgimento do jornal foram 11 Copas do Mundo. A cada quatro anos um espaço especifico do jornal sempre foi dedicado à seleção brasileira na busca de consolidar a hegemonia obtida com os êxitos em 1958, 1962 e 1970. A capa da primeira edição evidencia isso, em 1974. O tri, conquistado no México, em 1970 - na encantada geração de Pelé - dava aos brasileiros a certeza de que a partir dali seriam sequentes os troféus. Não foi bem assim. Naquele ano da fundação de O Diário, os brasileiros se frustraram com a eliminação do selecionado nacional diante da Holanda, por 2 a 0, na semifinal, e queda contra os poloneses (1 a 0) na disputa pelo terceiro lugar.

Em 1978, nova decepção, desta vez de forma curiosa. A seleção, sob comando de Cláudio Coutinho, voltou para casa invicta, mas apenas em terceiro lugar, pódio que ganhou batendo a Itália por 2 a 1.

Nenhuma eliminação comoveu mais neste período que a da Espanha. Tido como o mais brilhante elenco entre todos que disputaram o Mundial de 1982, o Brasil de Sócrates, Falcão e Zico foi batido pelo italiano Paolo Rossi, por 3 a 2 nas quartas de final.

Na segunda Copa disputada no México, em 1986, outra vez nas quartas de final, o Brasil decidiu a vaga com a França de Michel Platini e ficou na trave, em pênalti desperdiçado pelo zagueiro Júlio César.

Veio 1990 e o time sob comando de Sebastião Lazaroni - na Era Dunga - foi superado pela Argentina nas oitavas de final por 1 a 0. Mais uma manchete triste estampada em O Diário.

O grito de tetra sairia de onde menos se esperava. A modesta seleção de 1994, capitaneada pelo técnico Carlos Alberto Parreira e centrada no brilhantismo do irreverente Romário, traria o dourado caneco pela quarta vez. Nos pênaltis, vá lá, mas tetra, marcado pelo bordão do locutor global "vai que é tua Tafarel!!!"

A edição de 1998, na França, foi traumática. Finalista, com uma campanha exemplar e com Ronaldinho da condição de melhor jogador do planeta, contra os donos da casa uma humilhante derrota por 3 a 0. Antes do jogo o polêmico 'apagão' do principal jogador até hoje sem explicação.

Mas a perseguição pelo penta teria fim na Copa de Japão e Coreia do Sul, com a redenção do Fenômeno. Cintilou na capa de O Diário o quinto título da seleção brasileira com consagrador triunfo sobre a Alemanha por 2 a 0, no ano da graça de 2002

Em 2006, na Copa da Alemanha, o País não passou das quartas de final, tropeçando na França (algoz recorrente) de Zenedine Zidane e perdendo por 1 a 0. Na edição seguinte, 2010, na África do Sul, orientada pelo técnico Dunga, o enrosco foi no selecionado holandês. Derrotado por 2 a 1 o Brasil voltou para casa sem sentir a sensação do esperado hexa.

A Copa de 2014, no Brasil, seguramente proporcionou o mais triste dos títulos de matérias para participações brasileiras em Copas do Mundo: Brasil 1 x 7 Alemanha.

A redenção pode estar nesta 11ª Copa que está em curso na Rússia. No Brasil de Tite estão as esperanças do povo brasileiro de conquistar o hexacampeonato. A final está programada para o dia 11. Quem sabe na edição do dia seguinte não brilhe na capa de O Diário o sonho da sexta estrela?©


Capa da 1ª edição de O Diário (1974), noticiava o jogo do Brasil e Argentina. — REPRODUÇÃO


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