Na placa, colada na parede, ao lado da porta da Redação de O Diário, o nome dele está eternizado: "Sala Manoel Cabral". Na descrição, uma singela homenagem: "Raros são os personagens que passam pela humanidade e fazem história. Mais raros ainda são aqueles que conseguem colocar seu conhecimento a serviço da comunidade. Por sua capacidade, dedicação e desprendimento, eles são sempre dignos de singelas homenagens como esta, que fazem manter viva a chama do bom jornalismo". E encerra, como manda o figurino: "Homenagem do Grupo O Diário ao nosso companheiro de sempre".

Companheiro esse que, infelizmente, não está mais entre nós. Perdemos o jornalista Manoel Cabral no dia 16 de maio deste ano, aos 63 anos. E, contar a história de O Diário é falar, também, sobre ele. Nascido em Cruzeiro do Sul, Cabral foi repórter e, posteriormente, editor-chefe do jornal.

E foi do jornalismo que nasceu uma grande amizade com o pesquisador de cinema, More Massa Miyazato, 73. "Ele me entrevistou porque eu era colecionador, e tinha bastante material sobre cinema. E ali começou a nossa amizade. Lá na década de 70. Depois, ele fez várias outras matérias sobre meu acervo e meu trabalho. Quando eu escrevi meu livro 'More no Japão', ele que fez a revisão", conta Miyazato.

Entre 1976 e 1977, Miyazato tinha duas páginas em O Diário sobre cinema. E ali, a parceria com Manoel Cabral cresceu ainda mais. "Criamos uma amizade muito sólida. Encontrávamo-nos direto, no barzinho. Ele não saia da minha casa, e vice-versa. Ele tinha muito significado para mim e sinto muita saudade", conta o pesquisador.

Na sequência, Miyazato morou no Rio de Janeiro durante dez anos. Voltou para Maringá, e depois morou mais dez anos no Japão. Atualmente, está fixo em Maringá - desde 2007. E entre idas e vindas, a amizade com Cabral não se perdeu. "Apesar da distância, não perdemos o vínculo. O Cabral amava bonés, e toda vez que eu viajava para algum lugar, comprava um boné e trazia para ele. Ele nem usava, de tanto que eram preciosos para ele. Usava só na minha presença", conta.

Manoel Cabral não era casado e não teve filhos. Durante toda a vida morou com os pais e cuidou de ambos, que faleceram há cerca de quatro anos. Após a morte dos pais, o jornalista foi morar com a irmã Marilucia Cabral, de 51 anos. A saudade é unânime. E a admiração também.

"Uma palavra resume o Manoel: bondade. O que ele podia fazer pelos outros ele fazia. Era trabalhador e prestativo. Todo mês, quando ele recebia o pagamento, ele doava para várias entidades assistenciais da cidade. Ele já deixava o dinheiro separado para isso. Além disso, doava cesta básica para um rapaz que tinha problemas de saúde. A saudade é muito grande", conta a irmã.

Segundo o irmão, Geovani Cabral, 59, que mora em Campinas, Manoel fazia tudo pela família. "O Manoel abdicou de constituir uma outra família e de casar, para cuidar dos nossos pais. Ele era uma pessoa íntegra, serena. Dentro da família, nos ensinou muita coisa, com o seu caráter, com suas palavras, e ouso dizer que, até calado, nos ensinava muito", conta o irmão.

Um dos legados deixados por Manoel Cabral é o livro "Maringá: da floresta à selva de pedra".©


Manoel Cabral, que dá nome à Redação de O Diário, nos deixou em maio deste ano, aos 63 anos. — RAFAEL SILVA


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