Foi detrás de um balcão de lanchonete, que o jovem Valdecir Antônio Pazzini, 60, - o famoso "Vardeco" - então, com 18 anos, começou a estreitar seus laços com o fotojornalismo.

O ano era 1976. Nesta época, o jornal O Diário - assim como o Vardeco - era apenas um "menino". Somente dois anos haviam se passado desde a sua fundação, em 29 de junho de 1974. Os ares eram de desbravamento do território municipal e suas potencialidades nos mais diversos cenários.

Não muito longe dali, numa certa lanchonete, localizada na região central da cidade, Vardeco atendia diariamente jornalistas, fotógrafos, dentre outros profissionais do jornal, que passavam pelo lugar para fazer aquele lanchinho, pós-expediente.

Entre um lanche e outro, Vardeco acabou se tornando amigo de uma figura que lhe ajudaria a mudar de rumo - o então fotógrafo do jornal O Diário, Valdir Carniel. Cansado da vida atrás do balcão da lanchonete, o atendente revelou ao novo amigo o desejo de mudar de profissão. Daí, surgiria o convite do próprio Carniel, para ensinar a arte da fotografia para o menino sonhador.

Vardeco não perdeu tempo, se apresentou ao jornal e foi contratado no dia 14 de junho. Começou exercendo a função de laboratorista de fotografia de O Diário. Aprendeu rápido, em um mês já dominava as técnicas de revelação e arriscava fazer suas primeiras fotos. Trabalhou ao lado do então colunista Franklin Vieira da Silva - atual presidente do Grupo O Diário -, com quem realizava coberturas de eventos noturnos na cidade.

"Ele dizia que eu era jovem e cheio de energia para acompanhá-lo na noite maringaense", lembra Vardeco. Foi então, que começou a sair pela cidade em busca de registros que pudessem compor ou até mesmo virar notícia. Durante esse tempo, ele registrou diversas situações importantes que aconteceram na cidade e na região. O fotógrafo se recorda de sua primeira foto publicada no jornal. Era do viaduto da Avenida Tuiuti com a Avenida Colombo. Quando foi clicado por Vardeco, o tradicional viaduto da cidade estava ainda em fase de construção, com a via sendo asfaltada.

Ele se lembra também de seu registro mais trágico. Um acidente violento entre um fusca e um caminhão, nas proximidades de Jandaia do Sul. Na ocasião, cinco pessoas perderam a vida. "Eu e Rubens - o repórter - chegamos lá em trinta minutos".

Em suas andanças, Vardeco quase sempre tinha como companhia o repórter Manoel Cabral - que posteriormente viria a se tornar editor-chefe da redação. Juntos eles cobriam pautas diversas. Visitavam desde igrejas até delegacias, passando por coberturas de acidentes, matérias de caráter cultural e muito mais. Uma das pautas ao lado de Cabral que mais lhe marcaram, foi a realização de uma matéria sobre a Rodovia BR-376 - que liga Curitiba ao noroeste do Paraná - mais conhecida como Rodovia do Café.

"Era um trecho muito perigoso, a 'rodovia da morte'. Muitas pessoas perderam suas vidas nesta estrada - que era mal sinalizada -, passando pela Serra do Cadeado, transitando entre Maringá e Apucarana. Nós nos aventuramos até lá, de carro. Eu, Cabral e o seo Caetano, o motorista. Foi uma viagem muito cansativa, com muitos buracos na estrada, porém, divertida. Lembro-me de rirmos muito e de pararmos para almoçar na beira da estrada, literalmente. Levamos nossas marmitas de casa e nos sentamos para comer a beira do acostamento. Esse é um dos registros que mais gosto de recordar".

"Outro momento que me lembro com carinho, foi quando cobri o desfile do aniversário da cidade, vestido de 'milico'. Eu trabalhava no jornal e servia ao exército, no dia do desfile não consegui a dispensa para fotografar o evento, então tive que ir fardado mesmo para fazer os registros para o jornal".

Em julho de 1977, Vardeco que foi um dos primeiros fotógrafos do jornal, deixou seu posto para se aventurar em outra área. A convite de outro amigo, foi parar na extinta TV Cultura de Maringá, que na época também pertencia ao Grupo O Diário.

A relação de Pazzini com o jornal ia muito além do que se podia imaginar. Em meados dos anos 80, quando já trabalhava na TV Cultura, ficou incumbido de fazer parte da equipe de produção do primeiro comercial do jornal para a televisão. Tratava-se de uma campanha para promover as assinaturas do jornal, que sortearia pela Loteria Federal, um televisor para um dos assinantes.

E adivinhem quem ganhou o televisor? Sim, ele mesmo, o Vardeco. "Eu fiquei muito surpreso quando soube, não imaginava que fosse ganhar. Era uma das primeiras tv's a cores da época. Uma Semp Toshiba 16 polegadas, coisa fina mesmo". Além disso, sua fotografias continuavam a ilustrar páginas especiais do O Diário, para promover o "Jornal dos Municípios", programa veiculado pela TV Cultura, atual RPC.

A paixão de Vardeco pelo jornal era tão grande, que mesmo longe da redação ele se mantinha perto dos impressos. Montou uma banca de revistas no Borba Gato, bairro onde reside até hoje. A "Banca do Pazzini" era parceira do jornal, e fazia o maior sucesso. "Eu vendia muitos jornais, cerca de 70 a 80 exemplares por dia, no mínimo. Aos domingos, então, sempre esgotava o meu estoque. Quando o jornal começou a disponibilizar as edições de domingo no sábado a noite, por volta das 20h, tinham clientes que me pediam para reservar um exemplar, para não correrem o risco de ficar sem".

Ele enfatiza que O Diário sempre fez e ainda faz parte de sua vida e destaca a importância do veículo para Maringá e região. "O jornal começou sendo minha fonte de informação, quando ainda era apenas um jovem leitor, depois passou a ser o meu 'patrão' e hoje é o meu parceiro de todo dia".

"O Diário para mim representa o 'paizão' da comunicação regional. Foi ele que alavancou o progresso imobiliário, a política, a organização social da cidade e fomentou a cultura local. É um veículo de grande porte que sempre admirei e pelo qual até hoje nutro imenso carinho, gratidão e respeito".©


O fotógrafo Vardeco exibe sorridente sua "Fujica" de estimação. — JOÃO PAULO SANTOS


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