O prefeito de Sarandi, Carlos de Paula, está de cabeça quente com o anúncio de que o lixo de Paiçandu irá para o aterro da Ambiental Sul, instalado na sua cidade. E diz que não vai tolerar, permitir ou admitir o lixo da cidade vizinha nos limites do seu município. NO Diário de hoje ele esbraveja que “não entra um caminhão (de lixo) nem de Paiçandu, nem de cidade nenhuma aqui”.
Como ele pretende impedir a entrada desses caminhões, ainda não deixou claro. Mas é bom o prefeito respirar um pouco e pedir a opinião de seu departamento jurídico a respeito. Uma ação impensada e motivada pelo calor da hora pode por o seu mandato em risco, além de atrair para si uma obrigação de indenizar que seu patrimônio pessoal não comporta.
Uma coisa é a manifestação popular, outra é a oficial. Um prefeito não pode liderar ações de força contra uma operação que se encontra dentro da legalidade. Se a empresa tem suas licenças em ordem e pode atuar no ramo em que está autorizada, não pode o poder público impedir por qualquer que seja o clamor popular.
A hora é tensa, De Paula tem razão de reclamar do colega Vladmir da Silva, o Vladão, prefeito de Paiçandu, por decidir pelo contrato emergencial com o aterro de Sarandi sem consultá-lo. Foi mesmo uma medida pouco cortês. Mas deixar o calor da hora ditar as decisões pode ser algo que lhe custe muito caro no futuro próximo. E olhe que De Paula já tem um bom problema para a semana que vem, quando o processo que responde juntamente com os vereadores da legislatura passada por autorizarem a construção de um posto de gasolina vai a julgamento no Tribunal de Justiça. No primeiro grau, já perdeu seus direitos políticos.
E ele ainda tem de ponderar que os últimos acontecimentos o deixaram muito, mas muito distante mesmo da direção da Ambiental Sul. Não haverá qualquer motivo para que eles não ingressem com uma medida judicial contra o prefeito.
É hora de parar para respirar.