O dicionário Houaiss traz tolice, indelicadeza e grosseria como sinônimos possíveis de "estupidez". Sinceramente acho esses termos muito suaves para definir o substantivo. Pessoas estúpidas são uma pedra no sapato da sociedade não por serem apenas tolas, indelicadas e/ou grosseiras. Elas são um problema mais grave. Desrespeitam a si mesmo e aos outros e não pensam para agir. Até porque pensar é uma atividade que demanda esforço e normalmente não estão dispostas a isso. Pessoas estúpidas são, quase sempre, preguiçosas também. E exemplos de atitudes estúpidas não faltam no mundo real e no virtual. Há alguns youtubers, por exemplo, que são bons nisso. São os chamados "influenciadores digitais", uma expressão relativamente nova e que me assusta um pouco, considerando a força da internet e o risco que essas influências causam. Não citarei nomes aqui porque o objetivo não é apontar o dedo para pessoas, mas sim promover reflexão sobre atitudes. Como uma educadora que há 20 anos convive diariamente com adolescentes, preocupa-me perceber que muitos deles não apenas admiram o trabalho dessas pessoas e lhes conferem audiência digital, mas também repetem o que elas falam e reproduzem o que elas fazem.

Quem escolhe trabalhar com a adolescência precisa estar preparado para lidar com as características dessa fase. Com 15 anos, mesmo os que receberam da família uma boa formação tendem a ter crises de rebeldia sem causa de vez em quando. Portanto, ver o próprio filho aplaudindo meia dúzia de moleques que ensinam a trolar os amigos ou incitam o público a comprar escondido dos pais não chega a ser motivo para arrancar os cabelos. Entretanto, quando a necessidade de transgredir regras se se torna frequente e continua após a adolescência, quem pode entrar em cena é a estupidez. Segundo Aristóteles, "a juventude envelhece, a embriaguez passa, a burrice se educa, mas a estupidez é eterna". E a estupidez a que o filósofo se referiu é característica dos que se recusam a evoluir. E isso não tem a ver com grau de instrução ou com títulos acadêmicos. Tem a ver com pessoas que são estúpidas, mesmo sendo inteligentes.

E como isso é possível? O conhecimento enciclopédico, aquele que se aprende na escola e também na vida, por meio de fontes variadas, é importante e pode ser o grande diferencial na ascensão profissional, social e financeira de alguém. Uma pessoa com vasto conhecimento assim é inteligente. Mas mesmo os inteligentes podem ser estúpidos. E eles serão sempre que se recusarem a mudar de ideia por pura teimosia. Pessoas inteligentes serão estúpidas quando não fizerem reflexões sobre o mundo que as cerca e apenas vomitarem teorias e notas de rodapé. Pessoas inteligentes provarão que são estúpidas quando se julgarem melhores que os outros por causa dos diplomas que guardam nas gavetas.

O jovem pode rever seus conceitos sobre a vida quando chegar à maturidade. O bêbado pode voltar à sobriedade depois de um bom sono e uns goles de café. O ignorante pode buscar fontes de informação e sanar suas dúvidas. Mas o estúpido, ah, o estúpido jamais admitirá sua estupidez. Ele está ocupado demais pensando em si mesmo. O estúpido não se sensibiliza com a dor do próximo, não é generoso. O estúpido apega-se a coisas, e não a pessoas. Ele não sugere, mas é ótimo para reclamar. Abre a boca para denegrir, jamais para elogiar. Ironiza a fé alheia, mas, quando conveniente, é hipócrita o suficiente para ler a Bíblia e chorar.

A estupidez cega, ensurdece, emudece. O estúpido não enxerga ao longe simplesmente porque não se esforça para isso; não ouve nada além do que lhe seja oportuno; não dá opinião quando necessário. Pessoas estúpidas acham que o dinheiro lhes tornam melhores que os outros. Acreditam piamente que são autossuficientes. Rotulam como ruins a piada que não entenderam e o livro que nunca leram.

Por isso, adultos responsáveis por crianças e por adolescentes precisam ficar atentos para perceber se a meninada não está tendo como farol aquela pessoa descolada, que bomba nas redes, mas que espalha estupidez por onde passa. Afinal, o número de estúpidos no planeta já é grande. Não podemos permitir que nossos filhos aumentem essa estatística.


Participe e comente