De um lado da mesa, Fernando Beteti, jornalista, empresário e pai de Priscila, que há 15 anos nasceu com cardiopatia congênita grave e atresia da artéria pulmonar com tetralogia de Fallot e os médicos deram seis meses de vida. Do outro lado, Dr. Stephen Sinatra, cardiologista norte-americano, autor de 16 livros sobre cardiologia e reconhecido mundialmente pela habilidade em utilizar métodos alternativos para salvar pessoas, entre elas, justamente a de Priscila.

Neste encontro, realizado em Tampa, na Flórida, após aguardar oito meses uma vaga na agenda, Beteti teve a oportunidade de entrevistar Dr. Sinatra e conhecer um pouco mais da história médica profissional, métodos e conceitos do médico que deu visibilidade em escala mundial à cardiologia metabólica, combinando nutrientes de fundamental importância para a saúde do coração.

Fernando Beteti - Conte um pouco da sua história familiar e o que o fez ingressar na Medicina e dedicar uma carreira para salvar vidas como médico?

Stephen Sinatra - Eu comecei a carreira por causa da minha mãe. Quando eu tinha 8 anos, minha mãe apresentava um quadro de diabetes profunda. Várias vezes eu chegava da escola e ela estava no chão, em coma. Como menino, sempre tinha medo de que minha mãe morresse. Para salvar a vida dela, decidi me tornar um médico.

São inúmeras as especializações disponíveis. Mas, por que o senhor optou pela cardiologia?

Escolhi cardiologia porque gosto da ação. Na universidade eu era lutador. Eu gosto da competição e acho que a combinação entre universidade e luta foi o que ajudou a chegar ao final da escola de Medicina. Na época, estávamos no pico da guerra do Vietnã. Sempre achei que iria para a guerra, mas Deus tinha outros planos param mim. Comecei a trabalhar como cardiologista. Salvei muitas pessoas e ao mesmo tempo perdi muitas. Assim, me dei conta de como é difícil ser cardiologista e como o coração é um órgão muito complexo e ao mesmo tempo responde rápido a nutrientes especiais.

O que o fez despertar para iniciar um novo caminho em tratamentos alternativos e diferentes dos protocolos aceitos pelos maiores e mais respeitáveis centros médicos do mundo?
Foi por acidente, digamos assim. Há 30 anos, eu tinha como paciente uma senhora jovem, da mesma idade que eu. Ela tinha um bebê e desenvolveu uma cardiopatia pós-parto, algo raro. Ela ficou refém de aparelhos respiratórios. Resumindo: ela estava morrendo à espera de um transplante. Coloquei ela no protocolo da Coenzima Q10 e passei a dobrar a dose a cada 3 semanas. E isso foi um milagre. Ela começou a dormir a noite inteira, andava pelo quarto, cuidava do bebê recém-nascido. Hoje, ela tem 73 anos de idade. Essa mulher foi colocada em meu caminho por uma razão.

Para o tratamento, inseri o Magnésio no mesmo momento. Entre 15 e 20 anos depois começamos a acrescentar a molécula de L-Carnitina. Já em 2004, quando assisti uma apresentação em Las Vegas, eu adicionei no protocolo a D-Ribose. Esse era o elo que faltava no conceito da renovação energética cardiológica. Com esses quatro elementos, três deles produzidos pelo nosso corpo, chegamos a um grande aliado para a saúde do coração.

Nascia então a famosa solução de Sinatra, composta por quatro nutrientes: Coenzima Q10, Magnésio, L-Carnitina e D-Ribose. Por que o senhor defende a necessidade de recorrer a nutrientes como estes?
Aprendemos na escola, nas aulas de Biologia, que a Coenzima Q10 é produzida pelas nossas células. O problema é que quando a pessoa fica doente, a maior parte desses nutrientes acaba rapidamente para combater o estresse causado pelos radicais livres. A maioria das pessoas não fabrica a quantidade de nutrientes suficientes. As toxinas do meio ambiente, dietas pobres, inseticidas e pesticidas exigem muita ação desses nutrientes. É preciso, ainda, levar em conta que vivemos em um ambiente extremamente tóxico. Lembre-se que o que faz mal não é apenas o que vemos. Por exemplo, telefones celulares, computadores, bluetooth e telefones sem fio, eles emitem sinais invisíveis que são tóxicos ao nosso DNA. Os nutrientes ajudam a nos proteger de todos os males causados por estes agentes.

O que é cardiologia metabólica e como ela contribui para curar doenças ou devolver qualidade de vida às pessoas?
Tratei milhares de pacientes com problemas do coração com dietas, drogas farmacêuticas, exercícios, consciência corporal, mas vi que precisava de algo mais importante para chegar no nível das células do coração. A cardiologia metabólica fornece energia e a coloca em uma direção preferencial. Ela apoia e suporta a produção de ATP (trifosfato de adenosina), que em minha opinião é a força vital. O ATP alimenta as mitocôndrias, fundamentais para gerar energia para as células. Hoje sabemos que um terço do peso do coração é composto por mitocôndrias. O coração tem mais mitocôndrias por célula do que qualquer outro órgão, inclusive o cérebro. Faz sentido que se você alimentar a mitocôndria terá um coração mais saudável. Para se ter uma base de comparação, no coração são cerca de 5 mil mitocôndrias por célula, no bíceps apenas 200.

O senhor destacou a importância da Coenzima Q10 para a recuperação de uma paciente com cardiopatia pós-parto. Ela também faz parte da Solução de Sinatra. Fale um pouco mais desse nutriente e como ele age.
Produzida pelo próprio corpo, ela é vital. Ela tem o papel de afinar o sangue, atua como estabilizadora da membrana do cérebro, ajuda a retardar o envelhecimento. A Coenzima Q10 age dentro das mitocôndrias. Essa substância ajuda a mover e a regenerar o ATP.

Completando a solução de Sinatra, quais as importâncias da L-Carnitina, Magnésio e D-Ribose para o nosso organismo?
A L-Carnitina é muito importante para ajudar a transportar gordura. Ela funciona como uma transportadora: leva a gordura para dentro da célula e tira aquilo que pode ser toxinas. Já a D-Ribose, também feita pelo nosso corpo, é um açúcar de cinco pontas. Trata-se do centro da molécula do ATP. Por fim, o Magnésio é um nutriente vital envolvido em pelo menos 350 reações enzimáticas no nosso corpo. Muitas pessoas têm hipertensão porque contam com baixos níveis de Magnésio no corpo.

Quem deve tomar a solução de Sinatra? Há contraindicações?
Qualquer pessoa acima de 30 anos recomendo que tome estes nutrientes. Mas a Coenzima Q10 é a "numero 1". Não há contraindicações.

Como foi migrar do uso de medicamentos tradicionais para a utilização de suplementos nutracêuticos e recomendação para mudança de hábitos alimentares?
Para um médico, o que mais importa é salvar o paciente. Às vezes, para isso, será necessária uma cirurgia, às vezes de remédios tradicionais, mas muitas vezes o paciente terá que mudar hábitos de vida, adotar uma dieta saudável, fazer exercícios, muitas vezes recorrer a atividades que acalmem a mente e coração, a exemplo de yoga e tai chi, ou qualquer coisa que leve a pessoas a ter um espírito calmo. Nesse pacote, recorrer a nutrientes importantes também entra na lista para salvar a vida de uma pessoa.

No Brasil, estima-se que existam mais de 17 milhões de hipertensos. Qual a causa da hipertensão, em sua opinião?
As causas são genéticas, decorrentes de históricos na família, excesso de sal, sobrepeso, estresse, e fatores congênitos. Fatores endócrinos, como uma tireoide muito ativa, também se enquadram como desencadeadores da hipertensão.

O senhor concorda que o infarto é decorrente de colesterol alto?
Existem muitos fatores envolvidos. Para mim o ataque do coração é resultado de um sangue de alta viscosidade e veias estreitas. Existem muitas razoes para estreitamento das veias, como estresse emocional, muito ferro no sangue, homocisteína elevada... enfim, a lista é tremendamente grande. Mas, acredito que o colesterol tem apenas uma pequena contribuição para o infarto, não sendo o grande vilão.

Precisamos ter tanto medo do colesterol?
Colesterol é extremamente necessário para o corpo humano. Precisamos dele para viver. O problema do colesterol é que se ele ficar oxidado, ele vai ficar com "raiva" e acabará inflamando o nosso corpo. A inflamação é a causa das doenças coronárias. O colesterol tem um papel bem pequeno quando se trata de problema de arteriosclerose.

As estatinas são utilizadas para reduzir os níveis do colesterol. Qual o efeito colateral das estatinas?
Dor muscular e fraqueza. As estatinas causam problemas nas pernas, câimbras e afetam a memória. Ocorre que a mesma molécula de onde vem o colesterol é responsável pela produção da Coenzima Q10. Uma vez usada a estatina para matar colesterol ela diminuirá a Coenzima. Mas é claro que algumas pessoas podem precisar da estatina para diminuir o colesterol. Onde eu usaria estatinas? Em homens, com mais de 30 anos, com menos de 75 anos e com problemas de doenças coronárias. Mas ao mesmo tempo daria Coenzima Q10 para ele. A estatina deve ser utilizada apenas em casos em que seja extremamente necessária. Acontece que atualmente o paciente vai ao consultório e a estatina já é receitada, sem qualquer avaliação mais profunda.

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