O Dia das Mães pode variar de mês a depender do país, mas são raríssimos os lugares do mundo que não o celebram. No Brasil, a tradição da data já fez com que ela se tornasse a segunda mais importante do ano no comércio, perdendo apenas para o Natal.

A tradição veio dos gregos, eles celebravam no início da primavera a mãe de todos os deuses, a deusa Rhea, com homenagens, cultos e presentes.

Mas a oficialização desse costume veio no início do século 20, nos Estados Unidos, por insistência de uma mulher que nunca foi mãe, mas decidiu homenagear a sua com um dia para celebrar sua memória. Anna Jarvis iniciou uma campanha pelo que chamava de "Dia das Mães" em 1905, quando Ann Reeves Jarvis, sua mãe, morreu. Em 1908, ela organizou a homenagem para ela, mesmo sem a oficialização de um "feriado" na data, e passou a militar pela causa.

Sua luta para a oficialização deste dia durou anos. A motivação de Jarvis veio de uma prece que um dia sua mãe lhe mostrou. "Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que prestam à humanidade em todas as áreas da vida".

Enquanto ela fazia campanha enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e pessoas importantes para reservarem um feriado para essa data, os políticos zombavam da situação dizendo que, se oficializassem o Dia das Mães, teriam que instituir também o Dia da Sogra ("Mother in Law Day", em inglês).

Campanhas

A data virou tema principal de campanhas publicitárias no início de maio e ganhou grande apelo na indústria de flores e cartões. A história que deu origem ao Dia das Mães - a luta de Jarvis para homenagear o trabalho da própria mãe e de outras mulheres - era o roteiro perfeito para impulsionar ainda mais as vendas.

Só que a grande responsável pela data não gostou nem um pouco do rumo que as coisas tomaram. Ela detestou o viés comercial em que se encaixou o Dia das Mães e passou a boicotá-lo de todas as formas. A ativista que um dia fez campanha pela criação da data agora se mobilizava pelo fim dela.A atitude demonstrava a decepção de Jarvis.

"Jarvis considerava que o Dia das Mães era de sua 'propriedade intelectual e legal' e não parte do domínio público. Ela queria que esse dia fosse um 'dia santo' que nos lembrasse da mãe que colocou as necessidades de seus filhos antes das suas. Ela nunca quis que se tornasse um dia para dar presentes caros e onerosos, como outros feriados se tornaram no início do século 20", descreveu Katharine Lane Antolini, autora do livro Memorializing Motherhood: Anna Jarvis and the Struggle for Control of Mother's Day (Em Memória da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães, em tradução livre).


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