Acredita-se que o dia 7 de julho foi escolhido para celebrar o "Chocolate Day", em razão do período em que a iguaria foi introduzida na Europa, no século XV. Até então, o chocolate era mais popular entre Maias e Astecas, que cultivavam o cacau - matéria-prima do chocolate.

Fruto originário das Américas, proveniente da Amazônia e do México, o cacau era conhecido por ser um alimento "sagrado", consumido na forma líquida e amarga por sacerdotes Astecas.

Quando os colonizadores espanhóis chegaram ao continente americano perceberam a importância que o povo local dava àquela bebida e começaram a consumi-la também. Anos mais tarde, a bebida de cacau foi levada para a Europa e logo conquistou o paladar dos europeus.

Mas, foi apenas em 1875, que se deu o primeiro relato de uma experiência de mistura da pasta e da manteiga de cacau com leite e açúcar. O feito foi realizado pelo alemão Henri Nestlé e pelo suíço Daniel Peter, que deram origem às primeiras barras de chocolate, tais quais conhecemos hoje. Sempre presente no Brasil, o fruto do cacau precisou ser levado para a Europa e retornar por meio das mãos de colonos europeus, em meados do século XIX, para conquistar também o paladar nacional.

Em Maringá, o chef de cozinha e professor de gastronomia, panificação e chocolataria, Vinicius Pires Martins, 26, conta que, com o passar dos anos e com o acréscimo do açúcar de cana e do leite na pasta de cacau, o chocolate deixou de lado seu sabor amargo e passou a ter um gosto mais agradável. "Com o avanço da confeitaria, chefs e confeiteiros passaram a utilizar o chocolate no preparo de cremes, merengues, crepes, tortas, biscoitos e também de canudos, palitos doces. Mais tarde, o uso também foi aplicado aos bombons, com o desenvolvimento da técnica de têmpera do chocolate", explica.

Ele conta que o chocolate, consumido normalmente em forma de doce e nos preparos de confeitaria, era usado em sua forma líquida, desde a origem na civilização Asteca, até mesmo para regar carnes de caça em banquetes. "Devido ao seu sabor amargo e profundo, o cacau combina bem com sabores mais fortes e com carnes vermelhas. Com o avanço da gastronomia contemporânea, o chocolate começou a ser utilizado também em receitas salgadas, como por exemplo, o 'Tournedo de Mignon' que acompanha cenouras glaceadas e creme de chocolate amargo, conta.

Há quem diga que o chocolate não é um vilão da saúde e, sim, um grande aliado, se usado com moderação. Em razão do cacau ser um antioxidante poderoso, o seu consumo promete proteger as células do corpo das agressões causadas pelos radicais livres. Estudos indicam que o chocolate é capaz de prevenir doenças cardiovasculares e até mesmo alguns tipos de câncer.

Segundo o nutrólogo e pós-graduando em Fitoterapia aplicada a Estética e a Prática Esportiva, Bruno Staut Caetano, 22, quanto maior for a porcentagem de cacau no chocolate, maior será o teor de antioxidante que ele tem a oferecer. "O benefício do chocolate vem do cacau, nesse caso, o chocolate meio amargo e o amargo são as melhores opções. A ingestão de forma moderada pode aumentar a imunidade, melhorando a circulação sanguínea e a sensação de bem-estar, tudo graças as substâncias denominadas de flavonóides, catequizas e epicatequinas, que agem de forma a promover esses benefícios", comenta.

O consumo de 30 gramas ao dia, aproximadamente 4 "quadradinhos" de uma barra de chocolate convencional, é tido como a porção ideal de chocolate por dia. "Para obter efeitos positivos, não há necessidade de se praticar exageros. Quanto maior o teor de cacau do chocolate, melhor, pois assim terá menos gordura e açúcares em sua composição, aumentando o efeito fitoterápico do chocolate", revela.


CACAU. O chef Vinicius Pires Martins e uma de suas delícias feitas com chocolate. — ARQUIVO PESSOAL


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