• O despojado Lukas

  • Andye Iore
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Uma das frases mais comuns nas conversas sobre o cartunista Lukas é: "Não sei como ele ainda está em Maringá?!" Até parece que as pessoas não gostam dele e o querem bem longe. Não é isso. É apenas uma maneira de elogiar o trabalho do maringaense e mostrar que ele teria espaço em grandes centros junto aos principais cartunistas brasileiros. "Sou muito despojado, não penso em dinheiro", alega Lukas. No início dos anos 90, Lukas colaborou como primeiro fanzine maringaense - The Wild Side - publicando cartuns "para maiores de 18 anos" e concedeu em fevereiro de 1992 o que ele mesmo chama "de uma das melhores entrevistas" falando de coisas da vida e não sobre sua arte.

Lukas é assim mesmo: simples, arredio a badalação e a aparecer em público, mas sempre disposto a contar divertidas e curiosas histórias sobre uma infinidade de assuntos, sempre gesticulando bastante, como se as mãos fossem personagens destas histórias.

Em casa, dá dedicação especial à esposa Isa e divide o tempo com a mesa bagunçada coberta com cartuns, canetas, livros beatnik, gibis de Walt Disney, uma TV velha que usa mais para jogar games de horror, um rádio mais velho ainda, discos de vinil muito mais velhos e o computador.

Mesmo com a resistência à tecnologia, Lukas acabou sucumbindo ao teclado, monitor e mouse no final de 2005 e criou o blog Casa do Noca, em que revela seus pensamentos esquerdistas, dá dicas de música e quadrinhos, faz ilustrações experimentais com folhas de plantas que pega no quintal e perde horas de trabalho lendo artigos políticos.

Curiosamente, enquanto a maioria dos desenhistas de hoje trabalha com o computador, Lukas não tem interesse nesse meio. "Já fiz um curso de Corel Draw e fiz uns desenhos bem doidos. Mas, o meu negócio mesmo é na unha!", garante.


Quem é Lukas?

Marcos César Lukaszewigz, nasceu a 30 de junho de 1962 em Mandaguari, onde aprendeu a ler com os gibis de Walt Disney (é fã incondicional de Carl Barks) e na infância brincava com os primos de Editora, com cada um fazendo seus desenhos para vender. De descendência russa e polonesa, a família Lukaszewigz chegou em Maringá quando o menino tinha sete anos. Seu primeiro emprego foi com 16 anos como mensageiro de hotel.

Entre 1981 e 1989 trabalhou separando sementes da Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar). Em 1982, impulsionado por elogios de amigos e familiares, tomou coragem e mandou seus cartuns feitos com caneta Bic - "nem sabia o que era nanquim..." - para o jornal O Diário.

Lukas usava um personagem inspirado pelo bairro americano Harlem para contar histórias da periferia. Passou a publicar no jornal informalmente. Em 1985 mandou um cartum para O Pasquim, no Rio de Janeiro. E recebeu uma resposta do editor e cartunista Jaguar dizendo que ele podia ser o melhor do Paraná, mas certamente era o mais impronunciável. Foi daí que ele passou a usar a redução no nome, Lukas.

O trabalho como cartunista profissional começou em 1987. Até que em 1991 tomou outra dose de coragem, abandonou os grãos agrícolas e foi, com a cara, coragem, traços e humor, viver de seus desenhos. Sofreu muito - "passei até fome", lembra - mas conseguiu seu espaço. No mesmo ano ganhou página inteira no jornal O Diário. Depois, outro espaço na página 2 com um cartum factual.

Lukas foi tema da redação do Vestibular da UEM em 1991 com um cartum comparando o transporte coletivo de passageiros com o de bois em um caminhão.

No mesmo ano, lançou o primeiro livro, "O que vier eu traço", que foi parar na Bienal do Livro em São Paulo em 1993. Em 1998 se aventurou como repórter de O Diário, ficando noves meses alternando textos e desenhos. Ele gostou tanto que até brinca dizendo que chegou a parar de fazer cartum para ficar só escrevendo.

O segundo livro saiu em 2000, "Demos graças". E ainda vai lançar um terceiro num futuro que não sabe quando. "Será que vai dar repercussão?", ensaia uma inocente e humilde dúvida, torturando os fãs que aguardam com ansiedade todos os domingos a coluna de Lukas n´O Diário.

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