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07/07/2011 às 02:00 - Atualizado em 07/07/2011 às 14:29
O leitor certamente já se pegou, no meio de uma conversa chata ou de uma reunião improdutiva, fazendo desenhos a esmo num pedaço de papel que está dando sopa pela frente. Só é inusitado considerar que isso possa ser criação artística.
Pois é assim que a professora da UEM Tânia Machado descreve a técnica do doodle, com a qual seus alunos do curso de extensão "Fundamentos da Linguagem Visual" estão trabalhando para pintar a parede interna da Divisão de Cultura da universidade.
A criação tem fôlego artístico e exige também do fôlego no sentido literal: o mural tem dimensão de cinco metros de largura, com uma altura variável entre dois metros e meio e cinco metros – para se ter uma ideia, em termos de tamanho não fica muito atrás do mural mais famoso do mundo, o "Guernica" de Picasso, com 7,82 metros de altura por 3,51 metros de comprimento.
E toda a grandiosa tarefa há de ser realizada em apenas dois dias pelos alunos do curso. Metade do trabalho foi feita no sábado passado, e o que pode ser visto já é suficiente para impressionar – nada mal para uma técnica inspirada em rabiscos distraídos. O mural deve ser completado quando a UEM retomar suas aulas, no final deste mês ou no começo de agosto.
Engana-se quem pensa que, para dar conta de tanta demanda em tão pouco tempo, os alunos de Tânia Machado já eram todos iniciados em artes plásticas. Se é verdade que alguns dos participantes têm formação na área de design, outros trabalham em áreas díspares, tendo entrado no projeto por simples diletantismo.
É o caso do professor Givago Dias Mendonça, 28, que diz ter procurado o curso para sair da rotina. "Queria ‘desestressar’, a arte proporciona isso", diz. O aluno diz que, ao encarar pela primeira vez a dimensão da parede a ser coberta, ficou receoso quanto à sua própria capacidade.
No final das contas, porém, considera que seu desenho no mural ficou melhor do que o modelo rascunhado em papel, em escala de um décimo do tamanho.
Segundo Givago, a liberdade da técnica do doodle permite que a imaginação flua e a criatividade vá sendo desenvolvida durante o processo de execução da obra. "É um desafio, mas conforme vamos trabalhando vão surgindo mais e mais ideias", afirma.
João Paulo Santos
Funcionários trabalham, tendo como fundo o painel da Divisão de Cultura da UEM: altura varia de dois metros e meio a cinco metros
A professora Tânia Machado lembra, porém, que embora a técnica possa ser praticada por qualquer pessoa, sem necessidade de conhecimentos artísticos prévios, o curso tem a finalidade de desenvolver a linguagem visual de seus integrantes – com os resultados positivos já podendo ser vistos na criação do painel, onde as participações de cada aluno se fundem.
"Os significados do desenho vão surgindo subliminarmente, você começa e não sabe onde vai parar. A linguagem visual deve ser vista como um processo", diz Tânia.
Veja lá
O mural feito pelos alunos do curso "Fundamentos da Linguagem Visual" pode ser conferido no bloco A-34 da UEM
07/07/2011 às 02:00 - Atualizado em 07/07/2011 às 14:29
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