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03/08/2011 às 02:00 - Atualizado em 03/08/2011 às 09:24
Vários festivais de teatro ao longo do ano, temporada longa para a montagem local de "O Mercador de Veneza"... O ano parece bom para o teatro em Maringá.
Agora é a vez de "A Visita da Velha Senhora", versão do Teatro Universitário de Maringá (TUM) para a peça do dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt, entrar em cartaz para uma temporada que se estende por todos os sábados e domingos até o dia 14 de agosto. A peça já havia tido duas exibições no Festival Maio no Palco (com "gente saindo pelo ladrão", segundo o diretor Mateus Moscheta) e estreou em temporada no Teatro Oficina da UEM no último sábado.
Até há pouco tempo, a possibilidade de algo além de apresentações únicas de montagens teatrais em Maringá parecia irreal, "coisa de capitais".
Moscheta vê um momento "paradoxalmente fértil" para as artes cênicas em Maringá: segundo o diretor, a cidade sofre com a falta de incentivo e fomento às artes por parte do poder público, mas alguns agentes culturais vêm conseguindo desenvolver trabalhos significativos.
"Fazer arte é quase uma luta militante. Não há caminhos sólidos, temos de ir criando nossos espaços alternativos", diz Moscheta. Apesar das limitações, o diretor aponta a estrutura física para o teatro em Maringá como "invejável", superior à de cidades de maior porte como Londrina.
"Isso tem de ser explorado. Não é hora de bate-boca, é hora de abrir caminhos."
Apesar de recente, o curso de Artes Cênicas na UEM, inaugurado neste ano, também agitou a cena teatral, segundo Moscheta, que vê oportunidades de formação de público e capacitação profissional. "Quatro ou cinco meses de curso já são suficientes para trazer novidades", diz.
Maringaense, mas graduado em Londrina, Moscheta voltou à cidade natal há quatro anos para desenvolver seu trabalho no TUM ao lado do diretor Pedro Ochôa. As oficinas teatrais realizadas pelo grupo, que contam atualmente com 200 alunos, são descritas por Moscheta como um "sonho realizado". "As artes cênicas estão conseguindo um espaço maior por aqui", diz.
Divulgação
"A Visita da Velha Senhora", de Dürrenmatt, com o TUM, e cuja temporada deve se estender até o dia 14 de agosto, sempre aos sábados e domingos: "É hora de abrir caminhos", diz o diretor Mateus Moscheta
Estreia na direção
"A Visita da Velha Senhora" é o primeiro trabalho como diretor teatral de Moscheta, que tem formação de ator. Nessa estreia, preferiu não atuar para suas funções não se acumularem ainda mais. "Um diretor tem de participar de tudo, seria difícil também atuar", diz.
A aposta numa temporada longa (para os padrões maringaenses) veio da boa resposta do público nas exibições em maio e na necessidade do que Moscheta chama de "maturação da peça".
Segundo o diretor, o contato com o público é necessário para que o trabalho se desenvolva e possa ir a outros lugares. "Às vezes, os grupos se prendem demais a Maringá, isso é ruim. Mas para viajar, precisamos de experiência", observa.
03/08/2011 às 02:00 - Atualizado em 03/08/2011 às 09:24
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