• Antonina, no litoral paraanaense, é tombada pelo Iphan como patrimônio cultural

  • Fábio Massalli
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Encravada entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico, com construções centenárias e arquitetura peculiar a cidade paranaense de Antonina, distante 518 quilômetros de Maringá, despertava a atenção de viajantes estrangeiros no século 19. Na última quinta-feira, os 22 membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, tombaram, por unanimidade, a cidade paranaense como novo patrimônio cultural nacional, pelo seu conjunto histórico e paisagístico.

Em Antonina, o tombamento preserva o centro histórico da cidade, o complexo das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo (IRFM) e até mesmo as encostas dos morros. O conjunto poderá ser ocupado pelas atividades portuárias, desde que sejam preservados e recuperados os imóveis mais importantes. Segundo o Iphan, além de proteger os imóveis históricos e o complexo paisagístico da cidade, o tombamento contribui para que os moradores de Antonina resgatem o apreço pela preservação da cidade e a própria autoestima.

O processo levou dois anos para ser elaborado e já havia trazido lucros para Antonina. A cidade integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das cidades históricas e só pode ser inscrito no programa porque quando o PAC foi lançado, em 2009, já corria o processo para o tombamento de Antonina junto ao Iphan. Entre os projetos de melhoria estão a remoção da fiação aérea no município, o incentivo ao turismo náutico, a requalificação da mão de obra na cidade e o planejamento urbano.

Fotos/ Divulgação

Centro histórico de Antonina: "O centro histórico tem características que são únicas, é isso que identifica uma cidade", diz superintendente do Iphan no PR, José La Pastina Filho

O superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho, diz que o tombamento representa o reconhecimento da importância não só histórica, mas paisagística e ambiental de Antonina. "A ocupação de toda a baía de Paranaguá está associada às primeiras descobertas do ouro no continente por parte dos portugueses no sul do Brasil. No século 17, já havia um grande contingente populacional de portugueses naquela região. Foi o primeiro ouro descoberto no Brasil, um ouro de aluvião (encontrado nos leitos dos rios). Quando encontraram os veios nas Minas Gerais, começou o despovoamento dessa região", diz.

Divulgação

Casarão em Antonina: processo de tombamento
no Iphan levou dois anos para ser concluído

Além da importância histórica, Pastina destacou que a questão arquitetônica de Antonina é muito significativa, possuindo construções luso-brasileiros, ecléticas, art-deco e modernistas. "Nós tombamos não só o centro histórico, mas todo o entorno, inclusive o cume do morro, que são elementos que fazem a moldura da cidade. Isso tem uma dupla função, evita uma ocupação desordenada, e evita tragédias como as que aconteceram no ano passado na própria cidade de Antonina", observa.

Para Pastina, o tombamento de Antonina trará um grande benefício, pois representa uma propaganda turística ainda maior para a cidade. "O centro histórico tem características que são únicas, é isso que identifica uma cidade. Se você não preserva seus valores existenciais, você perde sua identidade. Você perde a sua alma", diz.


PARANAGUÁ E LAPA


Além de Antonina, o Iphan já tombou outras duas cidades paranaenses como bens históricos, culturais e paisagísticos brasileiros. A primeira cidade tombada foi Lapa, no Sul do Estado, em 1998. Em 2009, foi a vez de Paranaguá, no litoral,
receber o tombo do Iphan. As duas cidades têm em comum a preservação de suas características históricas e arquitetônicas

LAPA - Localizada no Sul do Paraná e distante 426 km de Maringá.

A cidade da Lapa foi fundada em 1797 e cresceu devido à exploração da erva-mate e da atividade tropeira. O município teve um papel de destaque durante a Revolução Federalista e foi palco do “cerco da Lapa”, quando um grupo de lapeanos comandados pelo general Ernesto Gomes Carneiro resistiu a um cerco de 26 dias realizado pelo exército republicano. Ao todo, 639 homens entre forças regulares e civis voluntários, lutaram contra as forças revolucionárias formadas por três mil combatentes

PARANAGUÁ - Localizada no litoral do Paraná e distante 526 km de Maringá.

Embora a ocupação da baía de Paranaguá pelos portugueses tenha começado em meados de 1550, a cidade só foi fundada em 1648. É o primeiro município do Paraná. Paranaguá surgiu com a descoberta do ouro,no primeiro ciclo do ouro do Paí. Ao contrário das cidades do planalto, surgidas ao longo do Caminho das Tropas e que apresentam uma conformação linear, Paranaguá desenvolveu-se em torno de seu porto. No aspecto arquitetônico, Paranaguá possui muitos sobrados e construções centenárias de influência neoclássica

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