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31/01/2012 às 02:00 - Atualizado em 17/02/2012 às 10:02
Passar os dias de Carnaval em Maringá lembra o samba "Sem Ilusão", de Elton Medeiros. "No carnaval não vou querer me fantasiar", canta Elton. Se, para o sambista era um protesto contra a ilusão do Carnaval, em Maringá a ausência de fantasia acontece pelo fato de os bailes e festas carnavalescas estarem minguando a cada ano.
Maringá já teve desfile de escolas de samba, concurso de rei momo, um forte Carnaval em todos os clubes e nas casas noturnas da cidade, que disputavam os foliões. Hoje o Carnaval local se resume ao projeto da Secretaria de Cultura de resgatar o Carnaval de rua – com o Projeto Samba na Praça – e alguns poucos clubes que ainda mantêm bailes. Neste ano, apenas a Acema, o Ody Park e o Country terão bailes. Este último fará apenas uma matinê. Nos clubes, o repertório mistura samba, axé, pagode e outros ritmos.
Rafael Silva - 7/3/2011
A rainha do Carnaval de Maringá, Luzia Agostinho da Silva: sucessora será escolhida no Samba na Praça
O Samba na Praça foge das novidades e tenta resgatar os carnavais de outrora à base de marchinhas e sambas-enredo. Neste ano, o projeto acontece nos Conjuntos Borba Gato, Champagnat, Requião, Madrid, Hermann Moraes de Barros e nos distritos de Floriano e Iguatemi. Os bailes tocam, obrigatoriamente, marchinhas e sambas-enredos e, na primeira noite, acontece a escolha do concurso do Rei e Rainha do Carnaval 2012, outra tradição carnavalesca.
As inscrições para o concurso que elegerá o rei e a rainha são gratuitas e devem ser feitas, pessoalmente, até o dia 18 de fevereiro na Secretaria de Cultura que fica localizada nas dependências do Teatro Calil Haddad.
Para a secretária municipal de Cultura Flor Duarte o projeto Samba na Praça já está estabelecido e é desejado por muitos bairros maringaenses. "É um modelo bacana, um Carnaval familiar e aprovado pela comunidade", diz.
Para Flor, o fato do Carnaval ter perdido força nos clubes acontece também em outras cidades. Ela citou o exemplo do Rio de Janeiro, onde os bailes deixaram de ser a atração que eram. Hoje, em compensação, ela destaca, os blocos carnavalescos dominam as ruas cariocas.
Aqui na região, porém, em Astorga, o Carnaval de rua é muito forte. "Acho que vamos começar um outro tipo de Carnaval em Maringá, com menos força nos clubes. O Carnaval deve começar a surgir também em bares, como na Casa de Bamba, que terá Carnaval este ano", diz Flor.
A atriz, diretora e bonequeira Rô Fagundes já trabalhou em diversos Carnavais, decorando salões de clubes e também decorou o Samba na Praça. Rô diz que a tradição que a cidade teve de carnavais se perdeu, principalmente nos clubes. "O que existia de rua era muito pouco. O forte mesmo era nos clubes e tem se perdido essa tradição.
Mas é um fenômeno que não acontece apenas em Maringá. Hoje, as pessoas não investem mais em decoração dos salões como antigamente. As decorações são mais simples e as bandas tocam de tudo para agradar a todo mundo", diz.
Para Rô, a violência, tanto das ruas quanto nos próprios bailes, e a questão econômica foram fatores que contribuíram para a diminuição do Carnaval na cidade. "Também houve uma mudança no comportamento das pessoas. Os jovens não se interessam pelo Carnaval. Seria importante mostrar também o lado lírico do Carnaval, pois a TV só mostra o luxo", diz.
Entretanto, algumas experiências parecem mostrar que há um batuque no fim da madrugada. Rô conta que em Curitiba, uma cidade que, como Maringá, não é famosa pelo seu Carnaval agitado, possui blocos de rua, como o do Saci, formado por milhares de pessoas. "É um bloco tradicional que começou com dez pessoas há cinco anos. Dizem que as pessoas não gostam de Carnaval, mas é tudo uma questão de começar uma tradição".
Para o jornalista e cronista Antônio Roberto de Paula, o Carnaval virou uma indústria televisiva. De Paula lembra que em maringá, até os anos 80, havia um carnaval de rua e de clubes muito forte. "Pelo menos cinco clubes tinham bailes, além das casas noturnas. Hoje temos iniciativas como o Samba na Praça, mas não atrai o mesmo público como nos anos 70 e 80", diz.
De Paula acredita que, com o tempo, os clubes começarão a entender que os bailes carnavalescos não eram viáveis economicamente e as escolas de samba dependiam muito do poder público para sua existência. Com o tempo e as mudanças de administração, as escolas de samba entraram em crise e praticamente desapareceram.
"Mas essa não é uma situação exclusiva de Maringá. Eu sinto que acontece também em outras cidades. Antigamente, havia motivação para se pular o Carnaval. Esperava-se o Carnaval, comprava-se fantasia. Hoje, isso acabou", diz De Paula.
Identidade
Nome referência do samba em Maringá, o sambista e empresário Helington Lopes, fundador do grupo Receita do Samba e proprietário da Casa de Bamba, diz que a tentativa da Secretaria de Cultura de fazer o Samba na Praça resgatando as atingas marchinhas é muito louvável, mas, fora isso, restou muito pouco do Carnaval na cidade. "Os clubes dizem que dá prejuízo. E quando fazem, geralmente é uma festa sem identidade. Tocam muito pouco marchinha, samba-enredo e samba", diz. "Parecem bailes normais, tocando vários ritmos".
Lopes diz que atualmente é difícil realizar um Carnaval centralizado numa avenida por causa da violência. "Por isso, é interessante a ideia de levar o Carnaval para os bairros. É uma tentativa de voltar a tradição. Já os bailes, o problema é que não dá retorno, dá muita confusão e precisa de muito investimento por parte dos clubes", diz.
SAMBA NA PRAÇA E CLUBES
PROGRAMAÇÃO DOS CLUBES
Acema
Country Clube
Ody Parque
SEM PROGRAMAÇÃO
Centro Português, Maringá Clube e Clube Olímpico não tinham programação prevista até ontem
31/01/2012 às 02:00 - Atualizado em 17/02/2012 às 10:02
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