• Carnaval em Maringá se resume ao Samba na Praça e a poucos bailes

  • Fábio Massalli
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Passar os dias de Carnaval em Maringá lembra o samba "Sem Ilusão", de Elton Medeiros. "No carnaval não vou querer me fantasiar", canta Elton. Se, para o sambista era um protesto contra a ilusão do Carnaval, em Maringá a ausência de fantasia acontece pelo fato de os bailes e festas carnavalescas estarem minguando a cada ano.

Maringá já teve desfile de escolas de samba, concurso de rei momo, um forte Carnaval em todos os clubes e nas casas noturnas da cidade, que disputavam os foliões. Hoje o Carnaval local se resume ao projeto da Secretaria de Cultura de resgatar o Carnaval de rua – com o Projeto Samba na Praça – e alguns poucos clubes que ainda mantêm bailes. Neste ano, apenas a Acema, o Ody Park e o Country terão bailes. Este último fará apenas uma matinê. Nos clubes, o repertório mistura samba, axé, pagode e outros ritmos.

Rafael Silva - 7/3/2011

A rainha do Carnaval de Maringá, Luzia Agostinho da Silva: sucessora será escolhida no Samba na Praça

O Samba na Praça foge das novidades e tenta resgatar os carnavais de outrora à base de marchinhas e sambas-enredo. Neste ano, o projeto acontece nos Conjuntos Borba Gato, Champagnat, Requião, Madrid, Hermann Moraes de Barros e nos distritos de Floriano e Iguatemi. Os bailes tocam, obrigatoriamente, marchinhas e sambas-enredos e, na primeira noite, acontece a escolha do concurso do Rei e Rainha do Carnaval 2012, outra tradição carnavalesca.

As inscrições para o concurso que elegerá o rei e a rainha são gratuitas e devem ser feitas, pessoalmente, até o dia 18 de fevereiro na Secretaria de Cultura que fica localizada nas dependências do Teatro Calil Haddad.
Para a secretária municipal de Cultura Flor Duarte o projeto Samba na Praça já está estabelecido e é desejado por muitos bairros maringaenses. "É um modelo bacana, um Carnaval familiar e aprovado pela comunidade", diz.

Para Flor, o fato do Carnaval ter perdido força nos clubes acontece também em outras cidades. Ela citou o exemplo do Rio de Janeiro, onde os bailes deixaram de ser a atração que eram. Hoje, em compensação, ela destaca, os blocos carnavalescos dominam as ruas cariocas.

Aqui na região, porém, em Astorga, o Carnaval de rua é muito forte. "Acho que vamos começar um outro tipo de Carnaval em Maringá, com menos força nos clubes. O Carnaval deve começar a surgir também em bares, como na Casa de Bamba, que terá Carnaval este ano", diz Flor.

A atriz, diretora e bonequeira Rô Fagundes já trabalhou em diversos Carnavais, decorando salões de clubes e também decorou o Samba na Praça. Rô diz que a tradição que a cidade teve de carnavais se perdeu, principalmente nos clubes. "O que existia de rua era muito pouco. O forte mesmo era nos clubes e tem se perdido essa tradição.

Mas é um fenômeno que não acontece apenas em Maringá. Hoje, as pessoas não investem mais em decoração dos salões como antigamente. As decorações são mais simples e as bandas tocam de tudo para agradar a todo mundo", diz.

Para Rô, a violência, tanto das ruas quanto nos próprios bailes, e a questão econômica foram fatores que contribuíram para a diminuição do Carnaval na cidade. "Também houve uma mudança no comportamento das pessoas. Os jovens não se interessam pelo Carnaval. Seria importante mostrar também o lado lírico do Carnaval, pois a TV só mostra o luxo", diz.

Entretanto, algumas experiências parecem mostrar que há um batuque no fim da madrugada. Rô conta que em Curitiba, uma cidade que, como Maringá, não é famosa pelo seu Carnaval agitado, possui blocos de rua, como o do Saci, formado por milhares de pessoas. "É um bloco tradicional que começou com dez pessoas há cinco anos. Dizem que as pessoas não gostam de Carnaval, mas é tudo uma questão de começar uma tradição".

Para o jornalista e cronista Antônio Roberto de Paula, o Carnaval virou uma indústria televisiva. De Paula lembra que em maringá, até os anos 80, havia um carnaval de rua e de clubes muito forte. "Pelo menos cinco clubes tinham bailes, além das casas noturnas. Hoje temos iniciativas como o Samba na Praça, mas não atrai o mesmo público como nos anos 70 e 80", diz.

De Paula acredita que, com o tempo, os clubes começarão a entender que os bailes carnavalescos não eram viáveis economicamente e as escolas de samba dependiam muito do poder público para sua existência. Com o tempo e as mudanças de administração, as escolas de samba entraram em crise e praticamente desapareceram.

"Mas essa não é uma situação exclusiva de Maringá. Eu sinto que acontece também em outras cidades. Antigamente, havia motivação para se pular o Carnaval. Esperava-se o Carnaval, comprava-se fantasia. Hoje, isso acabou", diz De Paula.


Identidade

Nome referência do samba em Maringá, o sambista e empresário Helington Lopes, fundador do grupo Receita do Samba e proprietário da Casa de Bamba, diz que a tentativa da Secretaria de Cultura de fazer o Samba na Praça resgatando as atingas marchinhas é muito louvável, mas, fora isso, restou muito pouco do Carnaval na cidade. "Os clubes dizem que dá prejuízo. E quando fazem, geralmente é uma festa sem identidade. Tocam muito pouco marchinha, samba-enredo e samba", diz. "Parecem bailes normais, tocando vários ritmos".

Lopes diz que atualmente é difícil realizar um Carnaval centralizado numa avenida por causa da violência. "Por isso, é interessante a ideia de levar o Carnaval para os bairros. É uma tentativa de voltar a tradição. Já os bailes, o problema é que não dá retorno, dá muita confusão e precisa de muito investimento por parte dos clubes", diz.


SAMBA NA PRAÇA E CLUBES

  • 18/02 (sexta-feira) – Conjunto Borba Gato (Rua das Azaleias – entre as Ruas das Tipuanas e Ipê.)
  • 18/02 (sexta-feira) – Conjunto Champagnat (Avenida Tuiuti – entre as Ruas Rio Jordão e Rio San Martin)
  • 19/02 ( sábado) – Distrito de Floriano ( Praça da Igreja – Centro )
  • 19/02 (sábado) – Parque das Laranjeiras ( Avenida Mandacaru)
  • 20/02 ( domingo) - Conjunto Requião - ( Avenida Guaiapó com a Rua Rio Jordão)
  • 20/02 ( domingo) – Distrito de Iguatemi - ( Praça da Igreja – Centro)
  • 21/02 (segunda-feira) – Conjunto Madrid - ( Rua Toledo entre as Ruas Clodimar Pedrosa e Gabriel J. Dos Santos)
  • 21/02 (segunda-feira) – Conjunto Hermann Moraes de Barros ( Avenida das Palmeiras esquina com a Rua Letícia de Paula Molinari)



PROGRAMAÇÃO DOS CLUBES

Acema

  • 18 (sábado)- a partir das 23h
  • 19 (domingo ) - matinê a partir das 15h
  • 20 (segunda-feira) - a partir das 23h
  • 21 (terça-feira) - matinê a partir das 15h e concurso de
  • fantasia para as crianças


Country Clube

 

  • 19 (domingo) - matiné a partir das 14 horas


Ody Parque

 

  • De 18 a 21/2 – Banda Inova Som, das 15h às 19h


SEM PROGRAMAÇÃO

Centro Português, Maringá Clube e Clube Olímpico não tinham programação prevista até ontem

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