• Michel Teló cantou um ano com banda de Maringá

  • Ana Luiza Verzola
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De idas e vindas a Campo Grande (MS), os integrantes do grupo maringaense Bailanta ficaram bastante próximos a uma das famílias que sempre acompanhava os shows da banda de música gaúcha. Foram almoços, churrascos e um contato bastante estreito até que, em um desses encontros, Aldo Teló fez um pedido a Luiz Godinho Padilha, um dos fundadores da atração.

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"Ele disse que gostaria de registrar a voz do filho enquanto criança, porque temia que quando ele crescesse, não escolhesse o caminho da música", diz Padilha. Pedido atendido, e o álbum "Dia de Surungo" teve três faixas com a participação de Michel Teló. Tinha ele 12 anos.

Arquivo pessoal

Teló criança, com Luiz Padilha, em apresentação do Bailanta: "ele vai além do talento fabuloso"

Foi em 1993 que as canções foram gravadas – para o lançamento oficial em 1994. No vinil, o atual fenômeno mundial solta a voz nas músicas "Guri" e "Ainda Sou Guri", contribuindo também com o instrumental de "Assim Nasceu uma Vanera". Tendo a primeira experiência na gravação de um trabalho aos 12 anos, o guri ainda experimentou um pouco do que a fama reservava e também pegou a estrada com os músicos já experientes. "Os contratantes, quando viam a capa do disco, perguntavam: ‘o loirinho também vai vir?’ Então passaram a exigir a presença do Michel para as apresentações", conta Padilha.

Com sorte, o pai da estrela permitiu que durante um ano e meio o menino acompanhasse as apresentações em vários Estados do País. O que era uma vontade do pai passou a ser a primeira chance do paranaense, natural de Medianeira (352 km de Maringá), mostrar o talento que tinha. "Foi a primeira vitrine, o primeiro trabalho, além da oportunidade de trabalhar com grandes mestres", ressalta Padilha.

Segundo ele, as pessoas aprovavam o trabalho sem nunca ter ouvido o menino. "Teló vai além do talento fabuloso. A maior virtude dele é o carisma e a humildade", diz.

A parceria não foi adiante pela distância entre o grupo, radicado até hoje em Maringá. Consideraram a transferência do Bailanta para Campo Grande, e também cogitaram a vinda de Teló para cá, intenções que não foram concretizadas. "Ele tinha compromisso com a escola, com o grupo de dança folclórica no CTG, tinha aula de canto e inglês e também acordeom.

Era complicado conciliar tudo isso, a família dele ajudou muito nessa parte", observa. A história de Teló com o Bailanta durou um ano, de 1994 a 1995, mas o sonho do garoto não acabou ali. Ele integrou o grupo Santo Chão em 1997 e, depois, o Tradição – com o qual chegou a dividir o mesmo palco com o Bailanta algumas vezes.


Feito para ele

Luiz Godinho Padilha compôs "Ainda Sou Guri" especialmente para o pequeno Teló interpretar. Ele diz que a canção é uma espécie de "profecia" do que aconteceu na trajetória do cantor. "Fiz a música me baseando no que eu via, na educação que ele recebeu dos pais e na expectativa que tínhamos do talento que ele sempre demonstrou ter", explica "tio Godinho", como Teló ainda chama o único fundador do Bailanta ainda presente no grupo.

A preocupação que eles tinham, além de lidar com uma criança, era também com a remuneração. "O pai dele disse que não era para dar dinheiro algum, porque ele tinha medo de que, com isso, o Michel perdesse o interesse pela escola", conta.

Se todo o trabalho era desgastante para adultos já acostumados com a rotina de shows, Padilha diz que isso tinha um efeito muito maior para uma criança – geralmente as viagens duravam mais de 10 horas, e após as apresentações Teló também tinha de voltar, sozinho, para casa em Campo Grande.

Da atual formação, os únicos integrantes do Bailanta que conhecem o ícone pessoalmente são Luiz Godinho Padilha e o filho Tiago Rodrigo Kutschenko Padilha, que é percussionista da banda. A proximidade com a família ainda perdura, mesmo que o contato com o cantor tenha diminuído por conta da carreira que agora segue.

CANTE JUNTO


Ainda Sou Guri
(Luiz G. Padilha/Michel Teló)

Carrego um sonho grande/Em
meu pequeno coração/E ei de
alcançá-lo/Com certeza, por
que não?/ Seguindo a mesma
trilha/Percorrida por meu pai/Sei
que não me perderei jamais/
A identidade de campeiro/
Que herdei/Pelo mundo afora/
Onde andar eu levarei/ Na mala
de garupa/Os sentimentos e as
razões/E o culto pelas nossas
tradições/Em cada mate
amargo/Que eu sorver/
Recuerdos e memórias/Pelo
pago/Saudade do aconchego/
Do Ranchito/Do que era o meu
mundo/De piazito/Sonhando
que já era peão crescido/
Despertei com minha alma a
sorrir/Retornando de um futuro
imaginário/Ai que bom/Eu
ainda sou guri

Ouça a música no odiario.com.

No dia 28 de janeiro, Michel Teló esteve em Apucarana (64 km de Maringá) para uma apresentação, e foi a última vez que Padilha se encontrou com ele. "Eu vi aquela criança que andava conosco", conta.

Ele diz que, na ocasião, foi recebido com exclusividade pelo cantor, que falou sobre a carreira que tem trilhado fora do País. "Ai Se Eu Te Pego" foi traduzida em diversas línguas por todo o mundo, e o vídeo no YouTube passou dos 100 milhões de acessos. Padilha pediu para que o sertanejo autografasse o álbum em que fez sua primeira aparição como cantor.

Uma situação semelhante aconteceu com o grupo, quando o pai de Michel, Aldo Teló, pediu para que os integrantes do Bailanta autografassem o vinil. Para ele, isso demonstra que a gratidão da família é sempre presente. "Fazendo isso, ele percorreu o caminho inverso", diz.

 

 

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Comentários

1 comentários

  • @ArianeBontempo
  • | 08/02/2012 02:01:43
  • " Teló vai além do talento fabuloso. A maior virtude dele é o carisma e a humildade". Li essa frase na materia acima, ela define esse menino maravilhoso que esta levando alegria por esse mundo afora. Elevando o nosso Brasil!!! PARABENS!!!

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