• Arte de contar histórias é reinventada com ajuda do teatro

  • Ana Luiza Verzola
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Desde 1991 é comemorado na Suíça o dia do contador de história. Há poucos anos, 25 países aderiram à data, incluindo o Brasil. Hoje, dia 20 de março, o "Dia Internacional do Contador de História" é dedicado aos que se dedicam à arte de levar, para as demais pessoas, fantasia e mistério em forma de palavras.

Com a mensagem de incentivo à leitura, tal atuação veio se profissionalizando com o passar do tempo. "O dia vem para dar visibilidade ao trabalho dos contadores de história, é bem positivo", diz o pedagogo Danilo Furlan, que se envolveu com a prática em 1997.

No ano passado, Furlan, representou a cidade em um evento de narração de histórias realizado em Porto Alegre (RS), e só aí foi se dar conta de como a atuação do profissional cresceu. "Foi então que eu vi quantas pessoas do Brasil inteiro trabalham hoje na área. São profissionais e trabalham exclusivamente com contação de histórias", diz.

Divulgação

O pedagogo Danilo Furlan em uma apresentação de "contação" de histórias: "O dia vem para dar visibilidade ao trabalho dos contadores de história"

Os artifícios para prender a atenção dos pequenos são diversos, utilizando-se da linguagem teatral, do teatro de bonecos, e da animação para transmitir a história à plateia. "Como a contação de história tinha somente a figura de alguém lendo, os contadores foram buscar linguagens que pudessem somar esse momento", diz.

A figura do contador surge, segundo Furlan, por conta de uma necessidade de resgatar o hábito de os pais, ou avós, sentarem para contar histórias aos filhos. "Paralelo a isso, a profissionalização do contador de história deu também uma alavancada no incentivo à leitura. Hoje, bibliotecas do país inteiro têm o contador de história", afirma.

Em Maringá, todas as bibliotecas oferecem a atividade e capacitam os profissionais com cursos voltados para a arte. O projeto, realizado na Biblioteca Bento Munhoz da Rocha Neto, no Centro, conta com o "Histórias só para você", onde qualquer pessoa pode ligar e agendar horário para ouvir histórias individualmente. "Temos um cardápio bem variado, em que a pessoa pode escolher o que ouvir ou podemos sugerir alguma", diz Márcia Santa Maria, gerente de promoção da leitura.

Além disso, mensalmente as escolas podem agendar um horário para a atividade. Foi a partir do contato com o trabalho desenvolvido nas bibliotecas que Danilo Furlan se sentiu motivado a levar adiante a função que hoje norteia seu cotidiano. "Maringá tem aberto muito espaço, é rica em termos de números de bibliotecas.

Foi por onde eu recebi meu incentivo e permaneço hoje atuando", diz. Apesar da demanda, falta preocupação das escolas em manter um profissional ligado à area de narração de histórias no seio de atividades promovidas para as crianças. "A presença de um contador de história no município, participando dentro das escolas, enriqueceria e muito o ensino."

Em 2004, um grupo de pessoas de áreas distintas se uniram por um único gosto em comum: a arte de compartilhar histórias. Foi assim que surgiu A Casa do Contador de Histórias, ONG de Curitiba que hoje reúne 85 voluntários responsáveis por 12 instituições. Além desse trabalho, o grupo ministra cursos para interessados na área.

Para um dos voluntários e ministrantes de curso, José Mauro dos Santos, o Dia do Contador vem em forma de comunhão com contadores de todo o mundo em prol do desenvolvimento de uma mesma atividade.

Ele afirma que trabalhar profissionalmente na área é complicado, no entanto, essa atuação contribui na formação de leitores e também pessoas melhores. "Todos trabalham em outras áreas", diz. Com Santos, não foi diferente – educador, atualmente trabalha como funcionário público na capital paranaense e dispõe do tempo livre para se dedicar às atividades da ONG.

Para ele, ainda não é dada a devida atenção ao processo de formação de leitores nas escolas. "A leitura hoje é vista como passatempo. Preencher o tempo das crianças. E o que falta mesmo é ser vista com a importância que merece", diz. O reflexo desse primeiro contato com a literatura foi vivenciado de perto pelo educador. "Eu já dei aula, e uma vez tive contato com um menino que não tinha o hábito de ler, e por conta das histórias passou a se interessar por livros.

Ele era muito observador, e a leitura possibilitou que ele desenvolvesse a criatividade e também atiçasse a curiosidade. Esse menino passou a mexer com computadores, desmontava, tornou-se autodidata e ganhou uma bolsa de estudos", conta. "Para mim valeu a vida inteira". Esse é um dos casos em que a leitura fez diferença na vida de duas pessoas, no caso, do ouvinte e do narrador.

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