NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com o aumento da expectativa de vida e a redução da taxa de fecundidade, a fatia de idosos na população brasileira chegou a 14,3% em 2015, segundo dados divulgados nesta sexta (2) pelo IBGE.

O número representa um crescimento de 46% em relação aos 9,8% verificados em 2005 e reforça o desafio para manter a sustentabilidade do sistema previdenciário, dizem técnicos do instituto.

Os dados são do estudo Síntese de Indicadores Sociais, elaborado com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios).

"Dado o processo de envelhecimento populacional que vem sendo experimentado no país, é importante destacar os desafios que surgem neste cenário, que estão relacionados principalmente com a Previdência Social, a saúde, a assistência social, o cuidado e a integração dos idosos", conclui o estudo.

Com o argumento de que precisa conter o deficit na Previdência, o governo vai tentar aprovar uma nova reforma da previdência, ampliando a idade mínima para aposentadorias. A proposta deve ser anunciada ainda neste ano.

O envelhecimento da população elevou o indicador de dependência dos idosos inativos em relação à população economicamente ativa, que mostra a relação entre as pessoas que trabalham e os aposentados.

Em 2005, havia 15,5 aposentados para cada 100 brasileiros em condições de trabalhar. Em 2015, o número subiu para 22,2.

Citando projeções das Nações Unidas, o IBGE lembra que a fatia dos idosos na população tende a dobrar em 24 anos, ampliando ainda mais a dependência.

Entre 2005 e 2015, a expectativa de vida do brasileiro aumentou de 72 anos para 75,4 anos.

Os dados do IBGE mostram como os brasileiros sentem os efeitos da última reforma da Previdência, aprovada pelo ex-presidente Lula em 2003.

Entre os idosos ocupados, aumentou de 47,6% para 52,3% a concentração no grupo de pessoas com idades entre 60 e 64 anos. No mesmo período, o nível de ocupação dos idosos caiu de 30,2% para 26,3%.

Além disso, 46,2% dos brasileiros com mais de 60 anos que trabalham não receberam aposentadoria em 2015. O número representa um avanço sobre os 33,3% de 2015.

"É possível relacionar tais fatos com alterações legislativas dos regimes previdenciários na direção de postergar a concessão de aposentadoria", diz o instituto.

O IBGE detectou ainda um fator de vulnerabilidade dos idosos no mercado de trabalho, referente à baixa escolaridade, em relação a outras faixas etárias.

Entre os idosos inseridos no mercado de trabalho, a média de anos de estudo era de 5,7 em 2015, abaixo dos 8,9 anos da população entre 30 e 59 anos e dos 10,1 anos dos que se situam entre 15 e 29 anos.

Para os pesquisadores do instituto, o fato indica uma inserção em postos de trabalho que exigem menor qualificação.

"A implantação de políticas públicas específicas para os idosos -por exemplo, na seara da acessibilidade, da seguridade social e do mercado de trabalho- faz-se necessária para que não só se viva mais, mas também melhor", diz o estudo.

Participe e comente