A crise política instalada pelo episódio dos áudios de Michel Temer e Joesley Batista continuou a pesar sobre os negócios do mercado de ações nesta sexta-feira, 19. As incertezas sobre os desdobramentos do caso limitaram um movimento técnico de recuperação das perdas da véspera, que haviam somado 8,80%. O Índice Bovespa chegou a subir 3,07% no melhor momento do dia, mas perdeu parte do fôlego à tarde e fechou aos 62.639,30 pontos, com alta de 1,69%.

Segundo profissionais de renda variável, a recuperação da Bolsa foi apoiada em grande parte na recuperação dos mercados de câmbio e juros, a partir da atuação do Banco Central e do Tesouro. O BC promoveu quatro leilões extraordinários ontem e um hoje, de 40 mil contratos, equivalentes a US$ 2 bilhões. O Tesouro Nacional também fez leilão de compra e venda de títulos prefixados, pós-fixados e atrelados à inflação, como forma de dar liquidez aos investidores. As ações levaram à queda significativa de dólar e juros.

"O mercado ainda está muito instável, pois ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. Uma das poucas convicções é a de que a reforma da Previdência, se vier, será para mais à frente. E esse é justamente o principal ponto para o mercado, que agora fica negativo", disse Hersz Ferman, economista da Elite Corretora.

A grande maioria das ações que caíram ontem tiveram recuperação hoje. Petrobras ON, favorita dos investidores estrangeiros, subiu 0,95%. Petrobras PN, movimentada essencialmente por investidores locais, avançou 3,57%. A alta dos preços do petróleo contribuiu para essa recuperação, uma vez que os papéis haviam caído 11,37% e 15,76% ontem, respectivamente. Vale ON e PNA ganharam 1,45% e 0,63%.

Banco do Brasil ON, ação que reflete em boa parte o risco político, subiu 3,32%, depois do tombo de 19,91% na quinta-feira. Ainda no setor bancário, destaque para Itaú Unibanco PN (+2,60%) e units do Santander (+2,30%). A exportadora Fibria, que ontem havia subido 11,48% com a alta do dólar, teve fôlego para ganhar mais 2,02% hoje, mesmo com o dólar em queda de 3,98%. JBS ON, que tem estado no olho do furacão, interrompeu a sequência de quedas e subiu 1,52%.

Hoje o mercado movimentou R$ 13,5 bilhões, montante superior à média das últimas semanas, mas já bem inferior aos R$ 24,8 bilhões de ontem. O saldo de investimentos estrangeiros da quinta-feira será conhecido na próxima segunda-feira. No acumulado da semana, houve queda de 8,18%.

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