A Páscoa chega mais tarde este ano - só em 16 de abril -, mas as indústrias de chocolate estão a todo vapor, já que, nessa época, o consumo do produto sobe cerca de 50%. Os supermercados devem receber os produtos a partir de março.

Em tempos de crise, serão menos novidades lançadas, conforme apontam as maiores fabricantes. As marcas também não devem aumentar tanto o preço dos produtos, com o objetivo de melhorar os resultados das vendas, que vêm caindo há três anos – no ano passado 58 milhões de ovos de chocolate foram produzidos no País, gerando 25 mil empregos diretos, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e derivados (ABICAB).

A empresa familiar de chocolates Chocontelli, de Maringá, está nesta estatística. Este ano já contratou três funcionários temporários, além dos quatro fixos, para atender aos pedidos que já estão chegando. O número não é diferente do que foi contratado no ano passado, mas se o volume de pedidos aumentar, mais pessoas serão contratadas.

Atualmente, a fábrica, que nasceu de uma produção artesanal em 2000, abastece o Noroeste do Paraná, algumas cidades do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Os principais pontos de comercialização dos ovos da marca são lojas de atacado e varejo de doces.

Segundo o gerente da Chocontelli, Willian Citelli Conti, a expectativa da empresa para esse ano é vender mais. "Nosso chocolate é mais acessível que o das grandes marcas e apostamos que vamos vender mais esse ano. E é mais barato, só que também tem qualidade, que garantimos porque compramos boa matéria-prima", diz.

Para ficar mais barato

A Chocontelli tem ovos de diversos tamanhos, mas foca somente em um tipo de chocolate, a versão ao leite, para reduzir os custos para o consumidor final. Também tem um programa rigoroso que ajuda a evitar desperdícios, o que também impacta no preço do produto. "Com esse perfil, conseguimos manter os clientes que já vêm de alguns anos. E esse ano esperamos conquistar novos", ressalta Conti.

Apesar de uma escala de produção pequena, os lucros da empresa, obtidos principalmente em razão da Páscoa, vêm sendo animadores, tanto que foram suficientes para quitar todo investimento em maquinário feito há alguns anos, com o objetivo de industrializar o processo de fabricação de ovos de chocolate, o que agora permite pensar na expansão do negócio, aos poucos, para mais cidades.

Oportunidade
Aproveitando o aumento do consumo, há diversos cursos na cidade sobre confecção de ovos de chocolate que estão com vagas abertas. Essas são boas oportunidades para quem quer economizar, fazendo os próprios doces da família, ou para quem quer fazer uma renda extra.

No caso da vendedora Cida Saraiva, uma coisa levou a outra. "Comecei há 15 anos fazendo para a família. Todos gostavam muito e depois de alguns anos comecei a vender para incrementar a renda", conta.

Cida avisa que, para conseguir o produto dela, já famoso na praça, é preciso pedir com 15 ou 20 dias de antecedência. Para dar conta de atender às encomendas, é bem-vinda a ajuda da patroa, que sempre concede férias um mês antes da Páscoa. "A renda é boa. Coloco na poupança, ajudo meu filho que está na faculdade, nas contas de casa", diz.

Com uma vitrine no Facebook, Cida conta que a tendência deve seguir a do ano passado, e os produtos mais pedidos devem ser os ovos de páscoa de colher. "Fica mais bonito para presentear".

AQUECIMENTO
25 Mil
Foi o número de empregos diretos gerados no País ano passado, no período da Páscoa, segundo a Associação Brasileiras das Indústrias de Chocolates.


CONFIANÇA. Willian Citelli e Isabel Citelli em fábrica maringaense: este ano contrataram três funcionários.

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