"Temos vagas", destaca o coordenador dos cursos de Engenharia Civil, Mecânica, Química e de Produção da Unicesumar, Judson Ricardo Ribeiro. A perspectiva de empregabilidade no grande grupo das engenharias é boa, há espaço de trabalho para quem procura estágio e emprego, mesmo com a crise econômica. E se no momento não há tantos postos abertos, por outro lado, atravessar as incertezas da crise tem sido menos complicado que em outras áreas.

No caso da Engenharia Civil, a mudança de cenário foi mais visível. Isso porque, nos últimos cinco anos, houve um crescimento muito expressivo na área e quando chegou o momento de estabilidade a abertura de novas vagas foi reduzida. "Por se tratar de infraestrutura, esse segmento pode até desacelerar, mas não para. Tivemos altos e baixos nos últimos meses, mas acredito que o pior já passou e a expectativa é de voltar a crescer no segundo semestre", avalia.

Em relação às outras engenharias, a realidade do mercado é regida por demanda. A especialidade de Engenharia de Produção, por exemplo, emprega muito, mas boa parte das vagas surge em regiões mais industrializadas. Então, para Maringá, a disputa por uma colocação é alta. Por outro lado, Ribeiro diz acreditar que, à medida que a especialidade considerada ainda nova se consolide, mais profissionais devem ser contratados em razão da visão estratégica que podem levar a uma multiplicidade de empresas.

Acelerar processos, ajustar o ritmo da produção e até produzir com vistas a novos mercados são algumas das competências do Engenheiro de Produção, aconselha ele.

Pensando naqueles que querem ou precisam se especializar, o engenheiro civil Anderson Sopena Martins decidiu ofertar para os profissionais da área dele cursos rápidos voltados às necessidades do dia a dia. Técnico e também professor, ele garante que as engenharias estão atravessando a crise sem muitos percalços pela especialidade do trabalho.

Por outro lado, as melhores chances surgem para quem se mantém atualizado. "Direcionados ao estudante há cursos de operação de softwares da engenharia até opções avançadas. O que você vê é que não é só quem quer melhorar o currículo de começo de carreira está na sala de aula, mas quem tem bastante experiência também", diz.

Os mais procurados na escola são os cursos de Autocad, quantitativo e orçamento para Engenharia Civil, planejamento e gestão de obras, explica o consultor.

Especialização

Para aqueles que concluíram o curso e precisam de uma especialização, Judson Ribeiro afirma que quando a Unicesumar lançou o MBA em Gerenciamento de Obras, a maioria na sala de aula era de alunos recém-formados em Engenharia Civil. "Hoje você tem perfis mais variados e, em algumas turmas temos uma maioria de profissionais experientes que estão entre empregos ou procuram aumentar suas qualificações", afirma.

A atualização do currículo pesa em uma entrevista de empregos e ainda pode incentivar nesse profissional uma postura mais empreendedora. É cada vez mais comum que os profissionais tenham empregos fixos ou a própria empresa e prestem serviço a terceiros. A flexibilidade que se ajusta aos engenheiros civil, ambientais, faz toda a diferença na hora de manter um bom padrão de ganhos em momentos de retração da economia.

PARA LEMBRAR
O estágio segue a tabela padrão, por seis horas de trabalho por dia, o estudante pode ganhar até R$900, mas a maioria fica em torno dos R$700. Por quatro horas a remuneração varia entre R$400-500. Depois de formado, o engenheiro civil que tem a remuneração média da categoria pode receber até nove salários mínimos.A média de mercado está em torno dos R$4 mil.

ESTÁGIO
R$ 400 para quatro horas de trabalho

R$ 900 para seis horas de trabalho


ESTUDAR. Engenheiro civil e professor, Anderson Sopena Martins faz o alerta: estão nas salas de aula não apenas recém-formados, mas também engenheiros com vasta experiência. — FOTO: JC FRAGOSO

Engenharia de Alimentos: outro cenário, realidade parecida

Do ponto de vista de Ana Gabriela Anhero, que há dois anos concluiu o curso de Engenharia de Alimentos e está prestes a finalizar o mestrado, também é importante considerar a carreira acadêmica e a pesquisa. Para ela, a crise tem feito com que as empresas se ajustem a novas realidades e, muitas vezes, isso significa reduzir estágios e empregos de profissionais de qualificação superior e abrir mais vagas para pessoal de nível técnico. A insatisfação com a remuneração do estágio e a baixa ofertas de emprego fixo desanimam muitos jovens, enquanto outros se submetem para ganhar experiência. "O recém-formado precisa de experiência, então acaba por aceitar salários mais baixos. Se quiser entrar na indústria nesse momento é preciso se submeter. Eu mesma já enviei mais de 23 currículos para cargos de analista, assistente, nenhuma dessas vagas era para engenheiro de alimentos", afirma.

Ana Gabriela se considera uma exceção e tem um plano de carreira traçado. Ela espera se realizar profissionalmente na carreira de professora universitária. A jovem até arrisca dizer que, em razão do sucateamento progressivo do ensino público, deverá lecionar em faculdades particulares e escolas de ensino técnico que oferecem melhores condições de ensino e de aprendizagem.

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