Mais de três milhões de brasileiros moram em outros países, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores do fim de 2016. Cerca de 1,4 milhão dessas pessoas vivem nos Estados Unidos, mais isso está mudando. Além das migrações de quem vai em busca de dinheiro nas profissões em que um diploma universitário não é fundamental, países mais desenvolvidos agora recrutam brasileiros bastante qualificados para áreas estratégicas, como engenharia e tecnologia da informação.

O Ministério da Imigração, da Diversidade e da Inclusão de Québec, no Canadá, por exemplo, está promovendo palestras no Brasil para contratar profissionais das áreas aeroespacial, aeronáutica, de biologia, ciências da administração, ciências da vida, ciências físicas, contabilidade, engenharia, TI e transformação de alimentos.

O assessor de prospecção e atração do ministério, Paulo Henrique Ayusso, destaca que o interesse pelos brasileiros está na formação, já que mais de 50% dos imigrantes do país têm diploma universitário. "Isso significa que, em pouco tempo, eles estão integrados na sociedade quebequense e com trabalho."

Não é apenas o Canadá que tem buscado brasileiros, mas outros países, como Portugal e Austrália. Com uma densidade demográfica de nem três habitantes por km, a Austrália lançou uma lista com mais de 180 carreiras com cargos à disposição, especialmente nas áreas de finanças, tecnologia e saúde. Já Portugal tem sido um dos países da Europa a mais receber imigrantes, pois sua população envelhece e os jovens estão indo embora, aproveitando a liberdade de acesso a outras nações da União Europeia.

Para convencer os brasileiros, esses países contam com atrativos fortes, como bons salários, índices altos de desenvolvimento humano, segurança, educação de qualidade, programas sociais, além da experiência turística, cultural e da possibilidade de aprender uma nova língua.

No Québec

Experiência cultural e a busca por novos conhecimentos no trabalho levaram Marcel Ferreira, analista de sistemas, a mudar para Québec acompanhado da esposa, Karina Ferreira, advogada.

O choque foi grande na chegada, inclusive climático, já que o casal trocou o calor de Maringá por uma sensação térmica de até -25ºC. Marcel destaca que mudar de país é "começar do zero", aguentando a saudade da família e dos amigos, mas vê mais pontos positivos.

"Acreditamos e sentimos que, a cada dia que passa, o que vale a pena é o conjunto da obra: segurança, qualidade de vida, cultura, estabilidade, descobertas, aprendizado. Canadá é um país que recebe pessoas do mundo inteiro, isso faz com que a experiência neste aspecto seja ainda maior. Ele oferece uma possibilidade de imigração para praticamente todos os países, porém só seleciona as pessoas que, de fato, vão agregar, ou seja, tem recrutado pessoas qualificadas."

Para os interessados em morar no Québec, a primeira dica é ser fluente em francês, já que 80% da população usa a língua no dia a dia, enquanto o restante se comunica em inglês.

Sabendo a língua, a próxima etapa é avaliar as reais chances de ser aceito no programa Trabalhadores Qualificados, por meio do site www.form.services.micc.gouv.qc.ca/epi.

"O salário mínimo é $10,75 dólares canadenses por hora, mas das áreas prioritárias fica bem acima", diz Ayusso.


VIDA NOVA. Com formação superior, Marcel Ferreira trocou o Brasil pelo Canadá: entre os desafios, o frio e dominar francês e inglês. —FOTO: ARQUIVO PESSOAL

SERVIÇO
Página mantida pelo Itamaraty no País: www.brasileirosnomundo. itamaraty.gov.br
Trabalho em Québec: unbelavenir.gouv.qc.ca
Departamento de Imigração da Austrália: www.border.gov.au
Departamento de Imigração de Portugal: www.imigrante.pt

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