Há sete anos, Rodrigo Caetano veio de Assis, interior de São Paulo, para tentar uma nova vida em Maringá. Ele tomou a decisão depois do falecimento do pai e deixou a empresa da família, de locação de mesas de bilhar, sob a responsabilidade de funcionários de confiança para se arriscar em uma nova profissão, a de desenvolvedor de sites.

Caetano se mudou para Maringá porque já conhecia a cidade por meio da irmã, que atua como funcionária pública na cidade. Com a esposa, ele abriu um CNPJ e, para evitar custos, começou a trabalhar em casa. "Atendo meus clientes pela internet, por telefone ou faço visitas. Assim evito aluguel e otimizo gastos com energia e internet", conta.

Autodidata, Caetano oferece desde a elaboração do leiaute do site à hospedagem e manutenção, bem como serviços para melhorar o ranqueamento de sites nos buscadores, como o Google. Ele faz tudo isso, principalmente enquanto está sozinho em casa, numa atmosfera profissional conforme seu perfil, que é criada na sala com um pouco de música em som ambiente – o que seria mais difícil numa empresa convencional.

Para evitar a "moleza" causada pelo sofá ou pela íntima cadeira da cozinha, mas principalmente problemas de saúde, Caetano investiu em mesa, cadeira e acessórios ergonomicamente perfeitos para ele. "Minha esposa é fisioterapeuta especialista na área da ergonomia. Então, trabalho confortável e adequadamente", explica.

Diferentemente de muitas pessoas que se vestem especialmente para trabalhar em casa, Caetano aproveita o ambiente familiar para executar suas tarefas bem à vontade quando o assunto é indumentária. Ele garante que a vestimenta não atrapalha, bem como as pausas para comer ou resolver questões pessoais.

"Eu me adaptei bem a essa rotina. As distrações, evito me concentrando no que tenho que fazer, cumprindo as metas para a entrega dos trabalhos e compensando as horas, caso seja necessário", diz, contente com a procura pelos serviços em 2017 que, para ele, começou melhor que 2016.

Foco

Trabalhar em casa pode se tornar uma grande armadilha se o profissional não tiver perfil ou não se adaptar. Como para saber se vai dar certo é preciso tentar, não custa adotar algumas práticas que aumentam as chances de a tentativa dar certo.

O coach Artur Fernandes, especialista em estresse, explica que o ambiente familiar pode atrapalhar por contar com mais elementos que podem provocar distrações.

Para manter o foco, recomenda Fernandes, é preciso ter em mente, e executar, o papel que deve ser desempenhado durante o trabalho. "Se você trabalha com o seu pai numa empresa, a relação não é entre pai e filho, mas entre profissionais. Se o trabalho é em casa, deve ser a mesma coisa. Se for difícil de explicar isso a um filho muito pequeno, manter uma porta trancada, quando necessário e possível, é válido para evitar a perda de foco".

Além de ser necessário uma conversa com a família para explicar que, no momento do trabalho, é preciso "esquecer" o pai, marido, irmão ou filho, que seja, vale a pena apostar em isolamento acústico.

"Sons da rua ou de conversas dentro de casa podem atrapalhar. É um bom motivo para trabalhar em um ambiente mais isolado e silencioso. Às vezes, colocar divisórias funciona", recomenda o coach. "E evitar sair muitas vezes do ambiente para não mudar de foco", acrescenta.

Uma agenda com horários também pode ser útil caso haja dificuldades em cumprir prazos. E ela não deve ser sabotada. Tanto para quem atua em home office tanto para quem é empregado ou tem um negócio convencional, essa prática pode ajudar a não prejudicar os momentos de descanso e lazer com a família.

"É fundamental estipular uma agenda e evitar interferências, que é o que mais prejudica a produção", diz Fernandes.

Também são favoráveis ao home office um ambiente preparado com equipamentos e móveis adequados, para que se crie um contexto profissional. Fernandes também destaca que, para entrar no clima, vale se vestir para trabalhar, com direito à camisa e sapato.


AMBIENTE. Home office: esforço para produzir como se estivesse na empresa. —FOTO: DIVULGAÇÃO

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