A oferta de emprego parece ótima, bom salário, benefícios e rotina flexível para realizar algo que o indivíduo sabe que vai fazer bem porque é qualificado. A pessoa aceita a oportunidade, mas, três anos depois, o sujeito está cabisbaixo no trabalho que declara odiar. A resposta não é única, mas engloba diversos fatores como estar satisfeito com as próprias escolhas, seguro do que se quer e executando tarefas que façam sentido em longo prazo.

O que leva tanta gente a odiar o emprego, a função que executa ou a empresa é uma sequência de decepções. "Ficam atentos ao salário que vão receber, mas nem sempre ao que vão fazer. No curto prazo isso funciona. O problema é que o trabalho dura muito e, depois de um tempo, o salário não motiva mais", afirma o professor Nailor Marques Jr.

Autor de pelo menos seis títulos e palestrante com formação inicial em Direito, o consultor trata especificamente da resposta à insatisfação no trabalho na palestra "Olhar e ver: a oportunidade mora ao lado". Para Nailor, se a aceitação do emprego foi motivada apenas por um objetivo imediato, a tendência é que se torne penoso com o tempo. Agora se esse trabalho tiver sido aceito porque representa um propósito do indivíduo – por exemplo, melhorar a vida das pessoas –, será diferente. O próprio trabalho será a motivação e, mesmo ganhando menos, dificilmente a pessoa odiará o que faz.

Quando uma pessoa fica desempregada por muito tempo, provavelmente isso quer dizer que ela não está aberta a aceitar uma condição inferior a que tinha antes. A postura de vítima esconde a falta de empenho em melhorar: quem corre atrás pode evoluir.

"O brasileiro tem mania de apontar o dedo para o outro, mas precisa apontar o dedo para si mesmo e assumir a responsabilidade da mudança. Trabalhar dá trabalho mesmo, estudar e qualificar-se dá trabalho, mas esse é o caminho. O mundo paga pela raridade e qualidade do trabalho", enfatiza o consultor.

Quando as oportunidades existem e não são percebidas, isso pode significar que a autopercepção da pessoa está distorcida. A sensação de derrota se torna permanente e é difícil dar o próximo passo. Para escapar do ciclo de vitimização e baixa estima é preciso saber o que se quer, o que se precisa, e a diferença entre ambos. Com foco fica mais fácil pesar as oportunidades e ver se o problema é de postura em relação ao trabalho ou o exercício da função.

Muita gente investe tempo e energia para conquistar coisas que, na verdade, não quer. O conselho prático é simples: se a pessoa tiver qualificações e quer ser promovida, deve abrir os olhos e buscar isso. Caso a empresa seja o problema, não oferecendo oportunidades de crescimento ou ignorando o empenho do funcionário, o melhor é procurar outro lugar para trabalhar.

Alerta de saúde

Passar tempo demais em um a função ou emprego que não traz satisfação pode afetar a saúde psicológica do trabalhador. Para reagir é preciso viver no hoje, no tempo presente. Aqueles que vivem pensando no passado e acreditam ter sido felizes apenas em outros tempos, no outro emprego, têm dificuldade em se mexer.

É importante ouvi-los porque podem estar deprimidos. Nesse caso, eles precisam de tratamento. Por outro lado, a pessoa que vive imaginando que, no futuro e apenas no futuro, será feliz e tudo irá se resolver, também não está bem. Esse trabalhador pode estar padecendo de ansiedade e precisa de ajuda psicológica.

REFLEXÕES A SEREM FEITAS ANTES DE PEDIR AS CONTAS
3 Do que você não gosta? Se for a natureza da função, busque
uma nova capacitação;
3 Se o problema é de relacionamento, tente conversar com a pessoa;
3 Se o salário está muito baixo, pesquise o mercado, tente negociar;
3 Se trabalha para pagar a faculdade e não consegue, peça ajuda da empresa, uma bolsa;
3 A cultura da empresa é conflitante com a sua? É melhor sair, comece a procurar uma vaga;
3 Se o problema é a rotina experimente pedir uma troca de função, mesmo que temporária;
3 Entendiado? Procure aproveitar melhor seu tempo fora da empresa;
3 Se não vê propósito no que faz, busque outra oportunidade, a tendência é o desconforto piorar;
3 Se está cansado do trabalho, mas gosta da função, procure adiantar as férias ou uma licença.

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