No mercado desde 2010, a Noc TI viu o faturamento saltar 63% nos últimos dois anos. A principal razão para o importante resultado não se apoia em fatores como imunidade à crise ou demanda atípica. Segundo o proprietário, Ronaldo Fernando de Souza, a explicação está na implementação de um projeto de desenvolvimento de pessoas baseado no Modelo de Excelência em Gestão (MEG).

O projeto vem sendo aplicado aos poucos desde 2015, quando, inspirado por empresas tidas como referência, Souza entrou para um projeto oferecido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) voltado a questões de excelência.

Desde que aprendeu mais sobre gestão, Souza implantou na equipe responsável pelo comercial algumas estratégias que estimulam e, ao mesmo tempo, resultam em mais e melhor produtividade. Além do salário base mais comissão sobre vendas, semanalmente são estabelecidos objetivos a serem cumpridos, cuja bonificação é bônus em dinheiro.

A diferença entre a estratégia adotada na Noc TI e outras, que costumam assustar e acirrar a competição interna, é que os objetivos não são difíceis de serem cumpridos. "Não estipulamos nada impossível, que o colaborador se sinta pressionado e incapaz. Pelo contrário, um colaborador estimula o outro a também chegar ao objetivo, que está ao alcance de todos do setor", diz.

Para se ter ideia da leveza com que a questão é trabalhada na empresa, dentre os resultados que geram bônus, um deles é receber elogios dos clientes da empresa. Um elogio, um bônus. "Assim, a pessoa se sente reconhecida de todos os lados e os colegas se inspiram e buscam o mesmo", diz Souza.

O empresário ainda está estudando como aplicará um programa de desempenho em outros setores, cujos colaboradores têm outras funções.

"Queremos aplicar também objetivos que sejam possíveis de serem cumpridos. No geral, nosso objetivo é trabalhar para que o colaborador se sinta bem na empresa, esquecendo os problemas de fora, e ofereça o que tem de melhor", comenta Souza.

Segundo a psicóloga e professora da Uningá Carla Fernanda Barbosa Monteiro, que atua nas áreas organizacional, do trabalho e social, as técnicas para aumentar a produtividade do homem são estudadas desde 1920, mas o foco mudou bastante. Por exemplo, enquanto no século passado se investigava qual era o limite entre a produtividade e a fadiga, hoje a preocupação é descobrir como extrair o melhor trabalho que um profissional pode oferecer.

É por esse motivo que, segundo ela, as empresas bem estruturadas oferecem desde o básico, que é um espaço físico, com boas acomodações, e informações ao trabalhador, para que ele entenda a função que exerce e o que a empresa espera dele, a benefícios como disponibilização de creche, academia, parcerias com farmácias, cursos e, entre outros, programas de reconhecimento.

O segredo é criar uma relação de afetividade entre empregado e empresa, de modo que o colaborador tenha orgulho e se sinta bem em fazer parte da organização. "A chave é fazer o engajamento coletivo das partes individuais, entendendo o homem não como recurso, máquina", diz Carla. Ela acrescenta que quando as empresas desenvolvem programas de produtividade sem pensar a qualidade de vida, podem gerar estresse e esgotamento do trabalhador, bem como brigas e clima organizacional ruim, produzindo transtornos mentais ou outros problemas de saúde.

Uma das consequências de estipular metas inatingíveis ou que produzam muita competição é o aumento do turnover, rotatividade, além de afastamentos por transtornos ou esgotamento. Nesses casos, o tiro sai pela culatra. "A gente pensa um programa que viabiliza o desenvolvimento das pessoas e que, por consequência, melhore a produtividade. Melhorar a produtividade não é fazer os colaboradores produzirem mais, mas melhor, conforme a missão da empresa."


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