Dentre as mais de 100 alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) previstas pelo Projeto de Lei da reforma trabalhista, está a redução do tempo mínimo de intervalo. Sancionado pelo presidente Michel Temer há mais de um mês, o texto entra em vigor 120 dias aós a publicação no Diário Oficial da União.

Pela legislação atual, os trabalhadores têm direito a intervalo para descanso ou alimentação de uma a duas horas, para a jornada de oito horas. Com as mudanças, o mínimo passa a ser 30 minutos, o que pode ser negociado entre empresado e empresa.

Para o diretor da Labore Saúde Ocupacional, George Coelho, a redução do tempo pode ser benéfica para trabalhadores de alguns setores, como o administrativo, mas ser prejudicial a quem trabalha diretamente na produção. "Depende muito de cada caso, de cada empresa e pessoa, mas eu acredito que a flexibilização seja algo positivo", diz.

A recomendação, de modo geral, é para que haja cautela na hora da negociação, já que, se o intervalo para a alimentação for muito curto, pode haver prejuízos à saúde .

Segundo a nutricionista Bruna Pereira, contando a partir do momento que a pessoa inicia a alimentação, o sinal de saciedade demora cerca de 20 minutos para chegar ao sistema nervoso central.

"Se alguém precisa comer rápido, acaba ingerindo mais do que precisa, porque o corpo ainda não entendeu que é hora de parar", explica. As consequências podem ser obesidade e ansiedade.

Levando em conta o tempo de deslocamento, se necessário, mais o de preparo da refeição, 30 minutos não bastam. "As pessoas podem acabar consumindo mais comida industrializada, abaixando a qualidade da alimentação".

A nutricionista Talitha Fernandes recomenda no mínimo meia hora para uma alimentação com calma, com boa mastigação, também contando a partir do início da alimentação. Considerando a necessidade de um tempo para descanso, ela orienta uma hora. "É preciso tempo para deixar o fluxo sanguíneo trabalhar pela digestão", diz.

Talitha reitera que comer rápido atrapalha a digestão. "Apessoa engole ar, fica com sensação de estufamento, gases", diz. No longo prazo, ela cita ganho de peso, refluxo, alergia alimentar tardia e desnutrição celular.

Participe e comente