Especialista de mobilidade global da Crown, multinacional de recolocação profissional, Lisa Johnson afirma que o número de mulheres em trabalho no exterior está em ascensão. Entretanto, elas são poucas ocupando apenas 20% do total.

Em tempos em que as melhores empresas buscam formas de promover a diversidade e a inclusão, uma mudança estratégica de cima para baixo parece ser a melhor solução.

"A única maneira de mudar comportamentos e causar impacto é impulsionando a mudança de cima para baixo. É preciso desenvolver uma cultura na qual a desigualdade seja inaceitável e ações sejam tomadas para garantir a inclusão", afirma.

O próprio sistema de promoção de carreiras internacionais é excludente. A maior parte dos trabalhos no exterior são oferecidos com pouco ou nenhum planejamento antecipado e as responsabilidades familiares, em sua maioria atribuídas às mulheres, podem impedi-las de viajar.

Haroldo Modesto é o diretor regional para a América Latina da mesma empresa. Para ele é preciso rever políticas tradicionais de expatriação (quando a empresa envia alguém ao exterior) porque a maioria delas foi criadas para homens com esposas. Essas mulheres não eram vistas como mão de obra, mas como suporte. Assim, elas assumiam grande parte das responsabilidades de adaptação familiar, enquanto eles, trabalhavam.

Até hoje as mulheres ainda não recebem o mesmo sistema de apoio. Haroldo enfatiza que essa política precisa ser adaptada porque não pensar na estrutura familiar delas altera a capacidade das famílias se adaptarem e as sobrecarrega. O mesmo acontece na hora de pensar no perfil do trabalhador. Os dirigentes (homens e mulheres) acreditam que mulheres não aceitariam uma posição internacional, então nem oferecem. Perde a carreira da mulher, perde a empresa.

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