Bem-humorados, flexíveis e antenados. Esses são os centennials, ou geração Z. Jovens de "berço" tecnológico nascidos a partir de 1995. Eles cresceram vendo os pais com celulares nas mãos e assistindo a televisores de plasma. Agora, a geração que nunca viu o mundo sem tecnologia está partindo para o mercado de trabalho com tudo.

Os centennials têm um vasto conhecimento sobre novos recursos de informática, internet e mídias. De acordo com o psicólogo e coach Artur Fernandes os pontos positivos deste grupo são: grande capacidade adaptativa, facilidade em trabalhar em equipe e comprometimento com causas sociais e sustentáveis. "Eles são bastante flexíveis. São pessoas interessadas em encontrar um sentido para a vida delas e das outras pessoas. Se mobilizam por causas sociais e têm alto nível de tolerância para a diversidade, consequentemente, são menos preconceituosos", explica.

Em contrapartida, esses jovens costumam ter baixa tolerância a frustrações, o que implica em uma relativa dificuldade de controle emocional. Além disso, segundo Fernandes, eles não têm muita capacidade de liderança. Contudo, isso é natural, não só por serem dessa geração, mas principalmente por serem mais jovens.

Apesar da grande capacidade adaptativa, com o tempo, os centennials podem começar a enfrentar problemas principalmente em razão do formato de trabalho atual, que é bastante tradicional. Isso porque eles lidam com as situações de maneira mais informal.

O cenário pode gerar atrito entre os centennials e os colaboradores de outras gerações dentro das empresas. "Como os centennials têm grande acesso à informação, o maior problema é a falta de experiência para validar os conteúdos e conceitos a que eles têm acesso. Eles chegam com novas propostas que, muitas vezes, não vão se adaptar adequadamente à realidade das empresas. Isso porque as empresas ainda não estão preparadas para o salto tecnológico e cultural que essas pessoas estão propondo", explica Fernandes.

Segundo ele, esse tipo de conflito é ainda mais comum em empresas instaladas em cidades do interior, onde os gestores são mais tradicionais. Já nas empresas de grande porte, é possível identificar gestores mais jovens. "Alguns herdeiros começam agora a assumir as empresas, e começa um novo ciclo cultural dentro das instituições, mas que ainda é muito incipiente. Com o tempo, a empresa adquire mais velocidade e fica mais responsiva, ou seja, consegue se adaptar de forma mais rápida às novas demandas do mercado", enfatiza.

O psicólogo explica ainda que o excesso de tecnologia e tarefas para serem cumpridas – típico da geração z -, traz uma preocupação: a perda da qualidade de vida. "Esse é um alerta que deve ser tomado com relação a essa geração. Eles estão muito hiperativos e essa hiperatividade dificulta a conexão com o conhecimento emocional e psicológico, que é fundamental. Esse ritmo gera um nível de estresse maior e depressão."


CONECTADOS. Jovens tenológicos se adaptam melhor em empresas menos tradicionais. —DIVULGAÇÃO


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