Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela uma tendência preocupante para quem está buscando recolocação profissional.

Resultados do estudo "Impactos do Desemprego: saúde, relacionamentos e estado emocional" apontam que 68% dos entrevistados estão inseguros sobre a possibilidade de não conseguir novo emprego. Considerando que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existam hoje aproximadamente 13 milhões de desempregados, um simples cruzamento de dados entre as duas estatísticas pode significar que quase 9 milhões de pessoas estão sem trabalhar e sem nenhuma perspectiva de retornar ao mercado de trabalho

Os números são alarmantes e justificados pela instabilidade política e econômica do País. Enquanto até mesmo empresas consolidadas em suas áreas de atuação foram obrigadas a fazer cortes de gastos com demissões em massa para manter o equilíbrio financeiro e o exercício de suas atividades, uma parcela gigantesca desses profissionais que perderam suas posições no mercado de trabalho não está preparada, do ponto de vista prático, para manter o equilíbrio emocional, vencer a instabilidade financeira e alcançar o objetivo da recolocação profissional.

"Resultado é a soma de visão mais assertividade", diz Bruno Cunha, headhunter e master coach de carreira. Para ele, é necessário fazer análise das principais dificuldades que estão impedindo o aproveitamento de novas oportunidades. "Sem entender quais são os obstáculos que o impedem hoje de retornar ao mercado de trabalho, o profissional desperdiça tempo e energia na luta contra a situação de desemprego."

As causas de atraso na recolocação são diversas. Algumas áreas de atuação, por exemplo, estão saturadas de mão de obra qualificada, o que pode baixar os níveis de empregabilidade em determinados setores. Nesse caso, quem está desempregado pode e deve reavaliar as opções e construir um sólido planejamento de carreira para, se necessário, mudar seus objetivos e transformar sua trajetória profissional.

Adaptação

Dadas as condições da economia e o alto desemprego, é comum que profissionais com experiência em determinada função se vejam diante de situações onde os salários oferecidos em novas posições estejam abaixo do padrão aos quais eles estavam acostumados.

Especialistas em Recursos Humanos indicam que, em situações como essa, o profissional considere a possibilidade de adaptação ao mercado para evitar as consequências mais graves do desemprego, mas sem nunca perder de vista o seu valor como profissional, principalmente em termos de qualificações e competências.

Outra estratégia negligenciada por quem está acomodado com seu status no mercado de trabalho é a construção do networking. A troca de informações e conhecimentos presentes no mundo corporativo são um legado inestimável, cujo valor não se perde com o tempo, desde que seja bem cultivado. Uma boa rede de relacionamento pode gerar indicações e promover melhor aproveitamento das oportunidades existentes. "Muitas vezes, as pessoas com quem nos relacionamos no ambiente de trabalho e o legado que construímos a partir dessas relações, podem ser o fator determinante na busca pela recolocação profissional. Entender a importância do networking e, principalmente, cultivar essa rede de contatos, acelera o retorno ao mercado e previne que novas adversidades atrapalhem a trajetória profissional."


Participe e comente