Estudo inédito realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, de 24 setores industriais brasileiros, mais da metade (14 deles, veja no quadro abaixo) está bastante atrasada em relação à adoção de tecnologias digitais.

O estudo constatou que esses setores correm riscos de se tornar tão ineficientes a ponto de serem excluídos da chamada quarta revolução industrial (a chamada indústria 4.0) – que será baseada na digitalização e robotização das fábricas e dos processos produtivos para aumentar a eficiência.

Os 14 setores que estão em situação vulnerável respondem por cerca de 40% da produção industrial e por 38,9% do PIB Industrial brasileiro.

"Eles precisam de investimentos urgentes, pois não terão competitividade principalmente em relação aos países que competem diretamente com o Brasil", afirma João Emílio Gonçalves, gerente executivo de Política Industrial da CNI. "São setores com baixo grau de inovação, pouca inserção no comércio exterior e produtividade inferior à média internacional."

Um dos grandes temores globais em relação à quarta revolução industrial é com o futuro do emprego. Há estudos, como o da consultoria americana Mackinsey, que projetam perdas de mais de 50 milhões de empregos nos próximos anos.

Ele lembra que, nas revoluções anteriores, também houve especulações sobre a perda de empregos, mas o que ocorreu foi uma transformação das atividades. "Muitas desapareceram e foram substituídas por outras que exigem mais qualificação e menor esforço."

Para Jaqueline Weigel, da consultoria W Futurismo, "a perda real ocorrerá para quem não se reciclar". "Todas as profissões precisam se reciclar, se repaginar e a educação é o desafio global que está mais atrasado".


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