Os dados referentes ao trimestre de março a maio indicam que o desemprego ficou em 12,7% ligeiramente abaixo do trimestre imediatamente anterior, de dezembro a fevereiro, quando esse nível foi de 12,9% atingindo 13,4 milhões de pessoas. Houve queda também em relação ao mesmo período no ano passado.

Ainda assim, os resultados são preocupantes segundo o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo. Isso porque, embora a taxa de desocupação se mantenha estável, a taxa de ocupação é menor, quer dizer, tem menos pessoas trabalhando. Ele ainda explica que essa estabilidade do nível de desemprego pode estar ligada ao fato de as pessoas terem desistido de ir em busca de emprego depois de meses de negativas. O número reduzido de pessoas procurando por emprego afeta o índice. As áreas que tiveram os níveis de ocupação mais atingidos foram os de comércio, atividade imobiliária e bancos, além do emprego doméstico.

Outro aspecto negativo detectado na pesquisa mostra uma queda de pessoas com carteira assinada. Houve uma redução de 351 mil pessoas em relação ao trimestre de dezembro a fevereiro.

Recolocação profissional

O desemprego afeta hoje pessoas de todo nível de escolaridade, qualificação e se destacar no meio de tanta gente é um grande desafio, mas não uma missão impossível, de acordo com orientadora (coach) de carreira e CEO da Propat, Patrícia Araujo. Para ela, "o fundamental é demonstrar as qualificações, habilidades e competências que valorizam o profissional e que são compatíveis com a vaga para a qual está concorrendo. É preciso mostrar que é a pessoa certa para o lugar certo", ressalta.

Antes de começar a distribuir currículos por aí, diz a especialista, o ideal é fazer uma reflexão sobre a trajetória profissional. "É importante avaliar as conquistas, os pontos fracos e fortes. Definir o que quer para a carreira no futuro, estabelecer objetivos e metas profissionais". Ela explica que qualquer movimento de mudança de carreira deve ser avaliada, para que a pessoa possa se capacitar para outras oportunidades. Também vale a pena identificar empresas nas quais gostaria de trabalhar e também aquelas que estão oferecendo vagas para perfis semelhantes ao seu.

O segundo passo é a atualização do currículo. "O CV deve ser claro, objetivo, sem erros gramaticais ou de digitação. Nele devem constar dados pessoais, formação, experiência profissional, cursos e certificações". Importante também verificar se o currículo está de acordo com os requisitos exigidos pelas empresas. Se for necessário, cabe personalizá-lo, dando foco às informações que poderão interessar mais ao futuro empregador, sempre com sinceridade e transparência, ressalta ela.

"Para os recrutadores, mais importante do que onde você estudou e quais cargos ocupou é o que você deixou de legado", destaca.

Atenção para as competências que, muitas vezes, ficam fora dos currículos, mas que são extremamente valorizadas pelo mercado. Habilidades comportamentais como atitude, criatividade, capacidade de comunicação, capacidade de resolução de conflitos, tomada de decisão, empatia, positividade e trabalho em equipe também são igualmente valorizados pelos recrutadores.

Além do envio de currículos diretamente para as empresas e do cadastro em sites de vagas, a coach de carreira aconselha a participação em grupos de vagas em redes sociais. "No Facebook, por exemplo, há diversas grupos em que são anunciadas oportunidades e nos quais as pessoas compartilham vagas e informações sobre seleções", afirma. Para quem busca recolocação profissional também é indicado reforçar a presença digital: manter atualizado o seu perfil do Linkedin, alimentá-lo com conteúdo referente à área de atuação do profissional e interagir com outras pessoas.

O networking também deve ser ativado no momento de recolocação profissional, mas com cautela. "As pessoas não podem ficar com a sensação de que você só está procurando por elas porque está sem emprego e busca uma oportunidade. Elas devem sentir que há uma troca, de conteúdo e de informações. O networking deve ser alimentado sempre, constantemente", alerta.


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