A maioria das mulheres que teve filhos através da cirurgia de cesariana queixa-se de dores lombares semanas ou meses após dar à luz. Além do incômodo, as dores afetam diretamente a qualidade de vida das mães no decorrer dos anos, sem falar das infindáveis idas a médicos para tentar descobrir as causas, além das tentativas fracassadas de alguns tratamentos. De acordo com o fisioterapeuta e osteopata Dr. Daniel Camilo, do Instituto Camilo, de Campinas, uma grande porcentagem de incidência desse incômodo advém das aderências que a cicatriz do pós-parto gera, e pode ser tratadas de forma rápida e eficaz em algumas semanas.

Para se ter uma ideia do grau desse problema, o número de cesáreas no Brasil são alarmantes. O país é o campeão desse tipo de procedimento no mundo, sendo que de cada 10 partos realizados nas maternidades particulares, 8,5 são cesáreas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que esse número não ultrapasse a 1,5.

Existem três tipos de casos de dores lombares. No primeiro grupo estão a mulheres que já têm dores lombares no processo de gravidez, que se intensificam com a aderência das cicatrizes causadas pela cesária. Outro grupo é formado por mulheres que, depois do processo de cesariana, desenvolvem dores somadas pelo carregamento dos bebês, forma incorreta de postura na amamentação, colocação no berço, que forçam mais as costas, que ficam sobrecarregas. E por fim, existem as mães que, passado todo este processo, ela começa a sofrer as influências das cicatrizes três meses após a cesárea, com o aparecimento de dores lombares com ou sem irradiação para as pernas.

Dr. Camilo explica que a cicatriz da cirurgia de cesárea gera a aderência entre os músculos abdominais e deles com as camadas profundas que circulam os órgãos internos (útero, ovários, intestinos). “Essas tensões recaem de forma patológica na postura estática e no movimento da coluna lombar, pelve e quadril, gerando com o tempo lombalgias ou lombalgias com irradiação para as pernas, podendo acometer o nevo ciático”, alerta ele.

No caso de lombalgias ou lombociatalgias (dor lombar com ou sem irradiação para as pernas), Dr. Camilo diz que uma consulta com um profissional de osteopatia pode avaliar a influência da cesariana nessas dores, identificar a inter-relação entre as cicatrizes, suas aderências e a dor. O tratamento consiste em liberação gradual dessas tensões anormais, esse procedimento é semanal com duração aproximada de uma hora cada sessão. Em algumas semanas a paciente já apresenta resultados expressivos, eliminando as dores e recuperando sua qualidade de vida. “As técnicas de osteopatia liberam essas aderências, aliviando de forma muito eficaz as lombalgias”, completa.

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