O goleiro Jefferson falou com os jornalistas nesta quinta-feira. Titular no Botafogo desde a lesão de Gatito Fernández, ocorrida em 23 de abril pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro, o veterano de 35 anos admitiu que o banco de reservas pesou na decisão de se aposentar ao final da temporada.

"Nunca falei que iria parar por causa da idade. 35 anos, para goleiro, ainda é novo. Daria para jogar mais umas três temporadas. Mas ninguém sabe muito o que a gente passou para chegar até aqui. Essa lesão que tive... vinha num momento bom, sempre tive valorização. Mas quando você fica parado um bom tempo, perde espaço, perde prestígio. A questão de não estar jogando, só no treinamento... Isso tudo pesa", afirmou o goleiro.

Mas também não foi só isso. Jefferson também disse se sentir incomodado por receber um dos maiores salários do clube e ficar na reserva. "Sei que tenho que pensar em mim, na minha família. Mas envolve muita coisa. Estou recebendo e fico no banco. A vida não é só dinheiro. Me cobro muito pelo que recebo no Botafogo. Penso no Botafogo", prosseguiu.

Jefferson sofreu uma grave lesão no cotovelo em maio de 2016 e ficou pouco mais de um ano parado. O problema acabou com os planos de ele representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio. Também custou duas cirurgias, duas demissões no departamento médico do clube e ainda a tristeza em se ver fora da briga por uma vaga na Copa do Mundo.

Tudo isso, ele conta, pesou na decisão de deixar os gramados no final do ano. Mas o goleiro evita se lamentar. "Já me sinto realizado. Tudo que passei foi maravilhoso. Já subi, já caí, já venci, representei o Botafogo na seleção... Já me sinto realizado", disse.

Os planos para o futuro ainda estão em aberto. Jefferson disse que ninguém ainda o procurou para tentar uma renovação de contrato ou propor algum novo cargo após a aposentadoria. Ele acha que os dirigentes do clube ainda esperam que ele desista da ideia de se aposentar. "Muitos ainda não acreditam. O próprio presidente disse em entrevista que espera conversar comigo", afirmou.

A ideia de encerrar a carreira ao término da atual temporada, segundo ele, está mais do que certa. Ele só não sabe o que fará a partir do ano que vem. "Creio que depois, quando as coisas começarem a caminhar, aparecerão outras oportunidades. Sempre me identifiquei com o Botafogo e espero que possa acontecer uma nova parceria, representar o Botafogo em outros lugares, outros estados, por exemplo. Mas para isso preciso de conhecimento, preciso estudar, me especializar", afirmou.

Jefferson volta a campo com o Botafogo no próximo domingo, às 16 horas, no duelo contra o América-MG, no estádio Independência, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. O time alvinegro ocupa a sexta colocação na tabela, com oito pontos, a apenas dois de distância do líder Flamengo.

TREINO - Nesta quinta-feira, o treino do Botafogo contou com duas novidades. Gatito Fernández, que ainda não tem previsão de voltar aos gramados, apareceu para trabalhar a parte física sem o gesso que protegia o punho.

O meia Valência participou normalmente das atividades. O jogador ficou fora do clássico contra o Fluminense na última segunda-feira por dores musculares na coxa direita. A tendência é que fique à disposição para o duelo de domingo.


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