PAULO SALDAÑA, SABINE RIGHETTI E DANTE FERRASOLI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O RUF (Ranking Universitário Folha) é um dos principais eventos avaliatórios do ensino superior do país, de acordo com Luiz Roberto Liza Curi, presidente da Câmara de Educação Superior do CNE (Conselho Nacional de Educação).

"Sobretudo porque é feito por uma instituição isenta em relação ao ordenamento da política educacional, e não por um agente do poder público ou ator do setor", diz Curi, que foi presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) –de onde o RUF coleta boa parte dos dados usados na classificação.

Lançado nesta segunda (19), o RUF traz a avaliação das 195 universidades brasileiras e dos 40 cursos de maior demanda nacional oferecidos por universidades, faculdades e centros universitários, como medicina e design.

Pela primeira vez desde que o RUF foi criado, a USP perde a liderança na lista de universidades brasileiras –foi ultrapassada pela UFRJ– e também na de cursos– a nova líder é Unicamp. A USP afirmou, via assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre os resultados.

Segundo Curi, os resultados do ranking têm de estimular as instituições a melhorar seu trabalho. "A política educacional deve visar a efetividade, não só o empenho. Não basta ser eficiente, tem de ser efetiva e atingir o conjunto da sociedade. E esse é um ponto central que o RUF avalia", diz.

Curi ainda ressaltou a importância de o RUF levar em conta critérios de desenvolvimento científico, como a geração de patentes, mas destacou a centralidade da pesquisa no ensino superior.

"Uma instituição que não é universidade [faculdades e centros universitários] não é obrigada a ter pesquisa, mas não significa que não possa ter e usar a pesquisa como padrão de governança de atividade intrínseca ao conhecimento", diz.

"A pesquisa é fundamental para que os alunos consigam expandir seus conhecimentos além da sala de aula e a instituição possa propor novas formas de aprendizado."

No RUF, a avaliação das universidades é calculada a partir de cinco indicadores: pesquisa, ensino, mercado, inovação e internacionalização. Na avaliação de cursos, que inclui faculdades e centros universitários, apenas o indicadores de ensino e de mercado entram na conta.

Para Roberto Pedrosa, coordenador do Laboratório de Estudos de Educação Superior (Lees) da Unicamp, "qualidade de ensino" é um indicador complicado de se avaliar.

"Em geral ensino é mais difícil, pois usa coisas como pesquisa de opinião, desempenho no Enade. Pesquisa, por exemplo, é mais fácil. Você determina as universidades que mais têm pesquisa a partir do número de citações, artigos, uma coisa mais palpável", diz.

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